Mangueira fecha domingo com enredo sobre guardião da Amazônia Negra

Por - 15/02/2026 - 23:57

Mangueira fecha domingo com enredo sobre guardião da Amazônia NegraDivulgação

A Estação Primeira de Mangueira será a última escola a desfilar no domingo, 15 de fevereiro, encerrando a noite na Marquês de Sapucaí. A entrada na Avenida deve acontecer entre 2h30 e 3h, com um enredo que promete mergulhar o público em uma travessia espiritual e ancestral.

Com o título “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, a verde e rosa leva para o centro da narrativa um personagem simbólico do Norte do Brasil, ligado à cura, à floresta e às tradições afro-indígenas.

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Ritual na mata e o chamado dos encantados

A história nasce na floresta, onde acontece o Turé, festa de agradecimento aos seres invisíveis e aos encantados que habitam entre mundos. É nesse cenário que surge Mestre Sacaca, xamã e babalaô do povo tucuju, apresentado como guardião vivo da Amazônia Negra.

Casal da Tatuapé cai durante o desfile

Sacaca aparece não como memória distante, mas como presença que atravessa a mata, as águas e os tambores. Curandeiro, marabaixeiro e defensor da natureza, ele conduz a Mangueira por caminhos de escuta e aprendizado.

Viagem pelos rios e saberes da cura

A jornada segue pelos rios, passando por comunidades ribeirinhas, palafitas e territórios onde indígenas e quilombolas constroem a vida em harmonia com a maré. Além disso, Sacaca troca saberes com extrativistas e mulheres das castanhas, enquanto observa a força cotidiana das águas.

Na floresta, o enredo destaca o poder da cura. Garrafadas, chás e banhos surgem de sementes, cascas e folhas, sempre acompanhados de oração e tradição. Assim, o conhecimento ancestral se mantém vivo, passado de geração em geração como prática sagrada.

Tambores, festa e resistência afro-indígena

Então, o som dos tambores transforma o sagrado em celebração. Marabaixo, Batuque, Sairé e Missa dos Quilombos costuram fé e cultura, enquanto a igreja encontra o terreiro e o terreiro ocupa a rua.

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Sacaca se espalha em cada detalhe: no barro das louceiras, no açaí que colore as mãos, na onça que vigia a mata e no amapazeiro que oferece sombra. Dessa forma, ele se torna símbolo de um Norte que resiste e ensina.

É essa saga que a Mangueira promete cantar, com verde e rosa, sob o céu da Sapucaí.

É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino