Com Mileide de rainha, Tijuca conta a vida de Carolina Maria de Jesus

Por - 16/02/2026 - 21:00 - Última Atualização: 17 fevereiro 2026

Rainha Mileide Mihaile no desfile da Unidos da Tijuca- Foto: Anderson Bordê / AgNewsRainha Mileide Mihaile no desfile da Unidos da Tijuca- Foto: Anderson Bordê / AgNews

A Unidos da Tijuca apostou em uma abertura carregada de significado para o desfile desta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026. A primeira imagem que surgiu na Sapucaí foi a menina Bitita, personagem que conduz o público ao início da trajetória de Carolina Maria de Jesus, escritora, cantora, compositora e poeta que marcou a literatura brasileira.

Mileide participou ativamente dos ensaios

Marcelo Adsnet no desfile da Unidos da Tijuca- Foto: Leo Franco / AgNews
Marcelo Adsnet no desfile da Unidos da Tijuca- Foto: Leo Franco / AgNews

Na língua changana, falada em Moçambique, Bitita significa panela de barro ocre ou preta, símbolo direto de resistência e ancestralidade. O apelido veio do avô Benedito, ainda no começo do século passado, e agora ganha vida como ponto de partida do enredo.

Desfile da Unidos da Tijuca- Foto: Leo Franco / AgNews
Desfile da Unidos da Tijuca- Foto: Leo Franco / AgNews

As muitas Carolinas que atravessam a Avenida

A Tijuca – que tem Mileide Mihaile como rainha da bateria – apresentou diferentes faces da autora ao longo do desfile. Assim, várias “Carolinas” surgiram na narrativa: “a doméstica”, “a grávida”, “a louca do Canindé”, “a catadora”, “a escritora”, “a marionete” e “a do carnaval”.

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O carnavalesco defende que, apesar da grandeza de Carolina, sua história ainda circula pouco no imaginário popular. Por isso, a escola transformou a Avenida em palco para recuperar uma trajetória de luta, talento e afirmação.

“Ela aprendeu os segredos que só o tempo revela no encanto do falar e do ouvir; e, nas barras das saias de sua mãe, tias e madrinhas, se entrelaçou ao poder das coisas ditas…”, diz a sinopse oficial da escola.

Desfile da Unidos da Tijuca- Foto: Leo Franco / AgNews
Desfile da Unidos da Tijuca- Foto: Leo Franco / AgNews

Da favela do Canindé ao sucesso mundial

Carolina nasceu em 14 de março de 1914, em Sacramento, Minas Gerais. Mais tarde, seguiu para São Paulo, movida por sonhos que, no entanto, encontraram preconceito e adversidades. Na capital, ela viveu na favela do Canindé, onde passou a registrar a dureza da desigualdade e da exclusão social.

“A história da Carolina enquanto escritora que foi apagada é algo que nos fascina… A Carolina enquanto mulher, enquanto preta, enquanto resistência”, afirmou o carnavalesco, ao destacar a força atual do tema.

Alegoria de papelão

Um dos pontos altos foi a terceira alegoria, dedicada ao livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada. Lançada em 1960, a obra vendeu 10 mil exemplares na primeira semana e chegou a mais de quarenta países, traduzida para ao menos 14 idiomas.

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“É todo feito de papelão, de material alternativo”, descreveu o carnavalesco, em referência ao período em que Carolina atuou como catadora e construiu sua vida com o que conseguia recolher.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino