Dragões da Real terá flauta indígena para encantar o Anhembi
Por Flavia Cirino - 13/02/2026 - 12:30
Intérpretes da Dragões da Real - Foto: Felipe Araújo/ Liga SPA Dragões da Real já se prepara para um dos momentos mais aguardados do Carnaval de São Paulo. A escola será a terceira a desfilar no Grupo Especial nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi, na zona norte da capital. Para 2026, a tricolor da Vila Anastácio aposta em um enredo com forte identidade cultural e ambiental, inspirado na civilização das Icamiabas, mulheres reconhecidas como protetoras da floresta.
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A proposta leva o público a uma viagem pelo universo amazônico, onde coragem e resistência aparecem como símbolos centrais. Além disso, a agremiação reforça o debate sobre preservação da natureza, tema que ganha cada vez mais espaço na avenida.
“Com sua coragem, resistência e bravura, elas representam a conexão entre o mundo mitológico e o meio ambiente, ressaltando a importância da preservação da natureza”, afirmou a escola em nota.
Enredo indígena reforça identidade e preservação
Pela primeira vez, a Dragões da Real coloca em destaque um tema indígena no desfile. Assim, a escola amplia sua narrativa e traz para o centro da festa a força feminina ligada aos povos originários.
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Ao mesmo tempo, a agremiação mantém marcas que já se tornaram reconhecidas no carnaval paulistano: excelência técnica, coesão musical e um trabalho cuidadoso na construção do samba-enredo. Portanto, a expectativa cresce dentro e fora da comunidade.
O diretor de carnaval, Márcio Santana, destacou que o reconhecimento da obra aumenta ainda mais a responsabilidade da equipe.
“O fato de termos um samba elogiado pelo mundo do samba torna essa gravação ainda mais especial. A gente furou a bolha. É um samba que fala para o carnaval inteiro e traz uma responsabilidade imensa”.
Arranjo une tradição musical e inovação na avenida
Além da força do tema, a Dragões investe principalmente em uma sonoridade que mistura tradição e novidade. Um dos responsáveis pelo arranjo, Cicinho (Anderson Luiz Leite Silva), explicou que a escola apostou em uma formação clássica, mas também buscou elementos que dialogam diretamente com a proposta indígena.
“Nós trouxemos uma formação clássica de samba-enredo, com dois violões, dois cavacos, um cavaco bandolim, violão de seis e de sete cordas. Dessa forma, dentro da temática indígena, incluímos uma flauta com timbre nativo. Esse, aliás, foi o diferencial para remeter ao tema”, explicou.
O músico também ressaltou a sintonia entre a bateria bem como a ala musical, ponto decisivo para o impacto do samba na avenida.
“Tem uma bossa que a bateria faz um agueré e a gente acompanha junto. Foi um casamento legal. Eu sempre digo: o samba é o modelo, e nós, arranjadores, somos os estilistas. Assim, precisamos vestir o samba com a melhor roupa”.
Com essa combinação de narrativa potente e principalmente cuidado musical, a Dragões da Real chega ao Anhembi com um desfile que promete emocionar, além de reforçar a importância cultural e ambiental das Icamiabas no carnaval de 2026.
Confira a letra do samba da Dragões
Compositores: Renne Campos / Márcio Biju / Alemão Do Pandeiro
Kunhã ê, tem festa na mata
Risca-fogo, é trovoada
Brilha a Lua, Iaci
Ybypirahy, fertilidade
A raiz da liberdade que nasceu pra resistir
Lendas e mistérios, pajelança, maracás
Dança, sobre as águas, deusa do Nhamundá
Iara ê, Iara
Dos muiraquitãs, encantaria
A bravura que renasce
No raiar de um novo dia
Caraíba na floresta, bicho-fera fez nascer
Na ponta de cada flecha, Anhangá vai proteger
Ayvu, clamor da verdade
Ybytu se enfurece, é tempestade
A saga renova a esperança
A coragem, hoje é lança na ganância do invasor
Guerreiras Icamiabas, herança que se espalhou
Onça-Silva é resistência, guardiã em todo canto
Amazonas, com espírito que é santo
Levam nome de Marias, mulheres comuns
No peito amor, na pele urucum
Aruê angá, valentes, guerreiras
Enfrentam o mal, a destruição
A voz sagrada despertando a consciência
Dragões é alma da floresta em oração
Quando o chão estremecer, Juremá, Juremê
Quando o rio chorar, Juremê, Juremá
Faz a força do tambor soar na aldeia
Correr sangue pelas veias para preservar
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino























