Gaviões aposta em samba forte e mira em desfile histórico

Por - 14/02/2026 - 14:00

Ernesto Teixeira, intérprete da GaviõesErnesto Teixeira, intérprete da Gaviões - Foto: Reprodução/Instagram

A Gaviões da Fiel chega ao Carnaval de São Paulo com uma aposta que empolga a comunidade e, ao mesmo tempo, desperta atenção no Grupo Especial. O samba assinado por Renato do Pandeiro, Rica Leite, Luciano Rosa, Cacá, Vini, Beto Cabeça, Don Souza, Portuga, Alves, Willian Tadeu e Biro embala o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, criado pelos carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira.

Tatuapé leva o MST ao Anhembi

Além disso, a escola será a quarta a cruzar o Sambódromo do Anhembi neste sábado, 14 de fevereiro. Uma noite decisiva para quem sonha alto no desfile paulistano.

Samba cresce e anima a comunidade

Interpretado por Ernesto Teixeira, o samba mantém a mesma energia apresentada nos ensaios. E surge como um dos pontos mais fortes da Gaviões nos últimos anos. Aliás, há quem diga que a escola não tinha um hino tão consistente há mais de uma década.

Enquanto isso, o canto da comunidade ganha destaque e reforça a sensação de que a obra tem força popular e impacto direto na avenida. Por isso, a expectativa aumenta a cada apresentação.

Carro de som capricha e Rafa do Cavaco vira peça-chave

Outro trunfo, aliás, aparece no trabalho musical. Os efeitos sonoros voltam a marcar presença no carro de som, sob comando do diretor Rafa do Cavaco. Ele assina introduções, arranjos de cordas e inclusive conduz Ernesto Teixeira com precisão.

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Além do talento individual, o entrosamento com a bateria “Ritmão” sustenta uma harmonia que pode fazer diferença. Assim, a Gaviões aposta em musicalidade, emoção e identidade para buscar um desfile memorável.

Confira a letra do samba da Gaviões

Yakoana
Me revela Xapiri
Um caminho a reluzir
Entre as matas um brilho de estrelas
Tudo parecia sonho
No leito risonho da mãe natureza
Onde o rio beijou o chão
Eu plantei uma nação
Que no amanhã renascerá
Pois Omama desenhou
Um dia, semente, no outro, a flor

Sou Tapajó, Cariri, Caeté
Um Potiguar, Tupi, Canindé
A voz da resistência, a lança ancestral
No peito do Brasil colonial (eu sou, eu sou)

Xawara devora o sonho e a mata padece
Mas eu sou a voz que conhece
O segredo das nossas raízes
Encantar é luz pra vencer cicatrizes
Oh, mãe hostil
Só uma vez, escute os filhos deste solo
A quem foi negado o teu colo
Pra ser Guajupiá de quem te ama
É hora de reflorestar o pensamento
Quem sabe o sonho volte como vento
O marco do futuro é Pindorama!

Yandê, Yandê, vai tremer a terra
Eu sou de paz, mas tô pronto pra guerra
Flecha que aponta novas direções
Tenho lado nessa luta, sou Gaviões!
(Sou Gaviões)

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino