Rita Lee é a aposta a Mocidade Independente para vencer na Sapucaí
Por Flavia Cirino - 16/02/2026 - 18:00 - Última Atualização: 17 fevereiro 2026

A segunda noite de desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro chega com uma das estreias mais aguardadas da Sapucaí. E, logo na abertura do dia, a Mocidade Independente de Padre Miguel promete transformar a Avenida em palco de ritmo, ousadia e celebração cultural. A verde e branco da Zona Oeste entra na Marquês de Sapucaí hoje, 16, às 21h45, como a primeira escola da noite, antes de Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca.
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Fundada em 1955, a Mocidade carrega uma trajetória marcada por identidade forte, comunidade pulsante e a estrela solitária como símbolo de conquistas. Agora, em 2026, a escola aposta em um enredo que mistura música, atitude e história brasileira: “Rita Lee, a padroeira da liberdade”.

Um tributo à artista que nunca pediu licença
O tema, assinado pelo carnavalesco Renato Lage, leva para a Avenida uma narrativa centrada em uma das figuras mais marcantes da cultura nacional. Rita Lee surge como personagem principal de uma festa que valoriza irreverência, liberdade estética e coragem artística.

A proposta percorre a trajetória da cantora paulista que desafiou padrões desde cedo. Enquanto o mundo insistia em regras e comportamentos esperados, Rita escolheu o caminho oposto. Assim, ela virou sinônimo de provocação inteligente, riso alto e independência.
Além disso, sua presença no rock brasileiro abriu portas em um cenário ainda dominado por homens. Ela não esperou convite. Pelo contrário: entrou, ocupou espaço e fez história.

Rock, deboche e resistência em forma de samba
Rita Lee nunca se limitou a um estilo só. Por isso, misturou referências estrangeiras, humor, malícia e ritmos brasileiros com naturalidade. Com os Mutantes, ajudou a criar um som inovador, quase futurista, mas profundamente conectado ao Brasil de um tempo de vigilância e censura.

Mais tarde, seguiu carreira solo, sempre em movimento. A cada nova fase, surgiam canções diferentes, novas linguagens e a mesma disposição para reinventar tudo. No entanto, o caminho também trouxe enfrentamentos duros, principalmente durante a ditadura.
Rita virou alvo justamente por incomodar. Suas músicas, atitudes e presença artística batiam de frente com o moralismo e a repressão. Ainda assim, ela não recuou. Ao contrário: cantou mais, provocou mais e permaneceu fiel ao próprio jeito.

A liberdade como enredo e como festa
Nas letras, Rita falou de amor, desejo e autonomia feminina com franqueza inédita. Dessa forma, abriu espaço para que outras mulheres também pudessem criar sem culpa e existir sem pedir desculpas.
Rita nunca foi uma coisa só. Foi muitas: rainha do rock, compositora, escritora, atriz, apresentadora e ativista. Santa e bruxa ao mesmo tempo. Sempre autêntica.
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Agora, essa história chega ao Carnaval. E a Mocidade convida Rita Lee para entrar no templo do samba, onde tudo vira espetáculo popular. Suas músicas ganham corpo na Avenida, o rock se mistura ao batuque, e a liberdade veste fantasia.







É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino





















