Samba da Tatuapé vai retratar o MST e promete encantar

Por - 13/02/2026 - 13:30

Celsinho ModyCelsinho Mody - Foto: MST

A Acadêmicos do Tatuapé prepara um desfile carregado de sentimento para 2026 com o enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”. A proposta chega como uma das mais intensas da escola nos últimos anos e, além disso, promete provocar reflexão no Sambódromo do Anhembi.

O que esperar do Carnaval de SP

Celsinho Mody, intérprete oficial da agremiação, destaca que o processo criativo nasceu primeiramente da união de dois grupos de compositores em uma só obra. Depois, o departamento musical transformou essa construção em um samba de mensagem direta, forte e emocionante. “Cada trecho transparece a luta do MST e o papel fundamental do trabalhador e da trabalhadora rural. Foi feito com muito carinho e afinco, para que todos sintam essa energia na avenida”, comenta.

Samba percorre história e provoca reflexão

O samba-enredo segue uma linha narrativa histórica e, ao mesmo tempo, simbólica. Começa com referências aos deuses da agricultura e, em seguida, atravessa revoltas e revoluções populares. Logo depois, chega às mãos calejadas de quem planta e colhe no presente, trazendo a realidade do campo para o centro do desfile.

Além disso, a obra fecha com uma denúncia social contundente: “há poucos com muita terra e muita gente com pouca terra”. Segundo Mody, essa construção não busca apenas contar uma história, mas também estimular consciência e debate.

MST na avenida como ponte entre cultura e luta

A presença do MST no desfile aparece como um gesto de resistência e aproximação com a cultura popular. Assim, a avenida se transforma em espaço de diálogo entre o samba e a luta social.

“O samba seguirá fazendo luta, e a luta pela terra e pela cultura popular será uma causa só. Ocupar o samba é mostrar que a defesa da vida digna também pulsa no coração da cidade”, reforça Carla Loop, da Direção Nacional do Coletivo de Cultura do MST.

O samba de 2026 encerra com esperança e celebração: “Tem festa na roça, até o amanhecer divide esse chão, pro nosso povo colher! Tatuapé, me chama que eu vou! Puxe o fole sanfoneiro, no toque do agogô!”.

Para Mody, esse trecho resume o espírito do desfile: “Depois de toda a conscientização que o samba traz, é a esperança e à festa que fica. Queremos compartilhar cultura e entendimento para as pessoas através das causas do campo e do Movimento Sem Terra”, projeta.

Confira a letra do samba da Tatuapé

Tupã! Num sopro de ternura
Concebeu a agricultura
Para os filhos desse chão
Trovejou, lá no alto da palhoça
Quando o orvalho molha a roça
É perfeita a comunhão
Mas veio o invasor
E a terra então sangrou
Negro plantou resistência
Canudos semeou a rebeldia
Cada enxada levantada
Liberdade florescia

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Mas a ganância por terra sem gente
Faz muita gente sem terra chorar!
Quem planta o mal, espalha ambição
Me dá, me dá, um ‘pedacim’ de chão

Lavoura ê! Lavoura!

Mãos calejadas no cultivo da semente
Lavoura ê! Lavoura!
Floresce da terra
A fé dessa gente
Alimentar e plantar o amor
Proteger é cuidar desse chão
Abraçar o nosso irmão
Contra a desigualdade
Pra colher dignidade
Em cada gota de suor eu vi
Brotar, crescer e acreditar

Que a esperança está no amanhã
E assim será
Viver é partilhar
E nada em troca esperar!

Tem festa na roça até o amanhecer
Divide esse chão pro nosso povo colher!
Tatuapé, me chama que eu vou!
Puxe o fole sanfoneiro no toque do agogô!

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino