Samba do Império de Casa Verde traz joias e ancestralidade
Por Flavia Cirino - 14/02/2026 - 09:30

O Império de Casa Verde aposta em um enredo, acima de tudo, de forte impacto histórico e cultural para o Carnaval 2026. Com “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, a escola da zona norte coloca no centro da narrativa Dona Fulô.
Esse é o nome pelo qual ficou conhecida Florinda Anna do Nascimento. Baiana do Brasil Colônia. Ela conquistou a alforria e, assim passou a investir em joias que carregavam muito mais do que beleza. Eram símbolos de proteção, fé e principalmente autonomia.
Assim, o desfile promete destacar como os balangandãs se tornaram marcas de resistência e identidade afro-brasileira. Além disso, a proposta busca emocionar o público ao retratar a força de mulheres que transformaram adornos em amuletos e expressão de liberdade.
Samba assinado por grandes nomes
A obra musical do Império reúne nomes de peso. A composição é assinada por Diogo Nogueira, André Diniz, Arlindinho Cruz, Bocão, Darlan e Fabiano Sorriso. Aliás, o que eleva ainda mais a expectativa em torno do samba-enredo.
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Portanto, a escola entra na avenida com um time forte também na criação artística. O desenvolvimento do enredo ficará nas mãos do carnavalesco Leandro Barboza bem como do enredista Tiago Freitas, dupla que promete traduzir a história em fantasia, emoção e impacto visual.
O Império de Casa Verde será a primeira escola do Grupo Especial a cruzar o Sambódromo do Anhembi no sábado, 14 de fevereiro. Dessa forma, além de abrir a noite, a agremiação tenta dar o tom do desfile e seguir firme na busca pelo quarto título, com ancestralidade e brilho como guia.
Confira a letra do samba do Império de Casa Verde
Compositores: Diogo Nogueira / André Diniz / Arlindinho Cruz / Bocão / Darlan / Fabiano Sorriso
Meu rei, o tigre me chamou
Muito prazer, Dona Fulô
No tabuleiro da baiana tem
Em contas vibram rituais
Vou te contar de onde vem
É ganho de preta pra se libertar
Os brincos, anéis e pulseiras
Me adornam, contornam
Se faz candeeiro
É negro o fim do açoite, lá se vai o cativeiro
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Meu destino alumiou, o pescoço é um altar
Amuleto Salvador, na argola
Elegância de mulher, que me trança em tua fé
Sou da mina de Benin, do Congo e Angola
Tem ouro, prata e turbantes de algodão
Frutas da estação, rosas tão coloridas
Nesse gingado carregado de axé
Descendo o Pelô, têm pescado e acarajé
O amor, fundamento que o seio alimentou
Exemplo que Ciata inspirou
Liberdade, igualdade, pois todo imperiano é assim
É resistência, que renasce em mim Bate tambor, o Império mandou me chamar
Nos balangandãs de ioiô e iaiá
Lá vem Casa Verde quebrando correntes
Abre a roda, o samba já vai começar
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino























