‘A Meia-Irmã Feia’ é a versão ácida e desconfortável que precisávamos da ‘Cinderella’

Por - 23/10/2025 - 05:00 - Última Atualização: 24 dezembro 2025

Pôster de A Meia-Irmã FeiaFoto: Divulgação

Você conhece todas as histórias da Cinderella? Duvido que conheça a versão apresentada em “A Meia-Irmã Feia”. Aliás, esse é primeiro longa-metragem da cineasta e roteirista Emilie Blichfeldt, que estreia exclusivamente nos cinemas brasileiros no dia 23 de outubro. Com cópias dubladas e legendas, a é distribuição da Mares Filmes e a Alpha Filmes.

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Nessa divertida releitura da clássica história da Cinderela, Elvira luta contra sua linda meia-irmã em um reino onde a beleza suprema reina. Ela recorre a medidas extremas para cativar o príncipe, em meio a uma competição implacável pela perfeição física.

Destaque no Festival de Cinema de Sundance e Berlin International Film Festival 2025, o filme vencedor do prêmio Bucheon International Fantastic Film Festival levou mais de 500 mil pessoas aos cinemas do México, traz em seu elenco nomes como os de Lea Myren (da série “Kids in Crime”), Ane Dahl Torp (“A Onda”) e Thea Sofie Loch Næss (da série “O Último Reino”).

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Desconforto em tela constante

O maior trunfo de “A Meia-Irmã Feia” é dar uma roupagem totalmente “nojenta” e desconfortável para uma história tão conhecida e contada diversas vezes. Assim, de muitas maneiras, traz um frescor criativo e inesperado para a obra.

O body horror é a principal vertente do terror abordada, vista em filmes como “A Mosca” e, mais recentemente, “A Substância”. Aqui, o corpo é o principal elemento de susto e tensão serem aplicados, te fazendo sentir de forma quase “sensorial” o que acontece em tela.

Ainda, destaque para a fotografia escura ou soturna, que trazem toda a atmosfera sombria e “descontente” que permeia “A Meia-Irmã Feia”, que ta bem longe da versão mágica e sonhadora popularização pela Disney, e tem até referências ao conto original da Cinderella.

Crítica social de “A Meia-Irmã Feia”

Aliás, um tempero extra de “A Meia-Irmã Feia” é a crítica social, que conversa muito com a discussão atual sobre imagem e procedimentos estéticos, e o quanto as pessoas vão longe para atingirem um suposto ideal de beleza inalcansável, e até mesmo pressões de familiares podem ser tóxicas e contribuírem para isso. Ainda, vemos uma inversão de papéis antagônicos, trazendo novamente esse olhar diferenciado para a história da Cinderella até chegar na versão final que conhecemos.

“A Meia-Irmã Feia” é, em síntese, mais um grande acerto do terror em 2025, atualizando de maneira surpreendentemente desconfortável a história da Cinderella e conversando com a atualidade mesmo se passando séculos atrás.

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Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.