Anita Harley: Fortuna bilionária vira série no Globoplay

Por - 20/02/2026 - 12:02

Série GloboplayArthur Miceli, Sônia Soares (Suzuki) e Cristine Rodrigues - Foto: Divulgação

A partir de 23 de fevereiro, o público acompanha de perto um dos casos mais complexos do Judiciário brasileiro. A série documental ‘O Testamento: O Segredo de Anita Harley’, novo Original do Globoplay, mergulha na disputa que envolve a principal acionista das Casas Pernambucanas, rede varejista centenária que construiu um império no país.

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Com cinco episódios lançados de uma só vez — e o primeiro liberado para não assinantes —, a produção aposta em ritmo investigativo para contar uma história marcada por poder, afeto e cifras bilionárias.

O caso ganhou contornos dramáticos em 2016. Naquele ano, Anita Harley sofreu um acidente vascular cerebral e entrou em coma. Desde então, a discussão sobre sua curatela e sobre o destino de um patrimônio estimado em mais de R$ 1 bilhão tomou conta dos tribunais. Além disso, o embate atravessou quase uma década, acumulou decisões, reviravoltas e versões conflitantes. Portanto, o documentário não apenas revisita os fatos como organiza a cronologia de um conflito que segue em curso.

Produzida pelo Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, a obra tem direção de Camila Appel, codireção de Dudu Levy e direção artística de Monica Almeida. O roteiro leva a assinatura de Ricardo Calil, Camila Appel e Iuri Barcelos, que também responde pela pesquisa. A equipe, por sua vez, enfrentou o desafio de transformar um processo judicial denso em narrativa audiovisual envolvente.

A batalha que começou no hospital

O ponto de partida da disputa surgiu no momento em que Anita perdeu a capacidade de administrar seus próprios atos. A curatela — instrumento legal que transfere a terceiros a responsabilidade por decisões civis e patrimoniais — virou o centro do conflito. Entretanto, mais do que uma discussão técnica, o processo revelou relações pessoais complexas.

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De um lado, Cristine Rodrigues, secretária de confiança da empresária e indicada em testamento vital para zelar por seus cuidados. De outro, Sônia Soares, conhecida como Suzuki, funcionária que morava na mansão da herdeira e que se apresenta como companheira de Anita. Além disso, Arthur, filho de Suzuki, conquistou na Justiça o reconhecimento de maternidade socioafetiva com a empresária, fato que ampliou ainda mais o alcance da disputa.

Consequentemente, advogados, amigos e familiares passaram a defender versões distintas sobre a relação de cada um com Anita. Enquanto isso, decisões judiciais alternaram cenários e alimentaram novas interpretações. Assim, o impasse deixou de se restringir aos autos e ganhou dimensão pública.

Humanização em meio ao conflito

Para Camila Appel, traduzir esse cenário para a linguagem documental exigiu sensibilidade. “Para a construção do documentário, busquei humanizar as relações envolvidas, compreender o que movia cada um dos personagens e me dediquei à investigação sem a busca por uma verdade absoluta, que talvez fosse impossível de ser concebida ali”, conta a diretora.

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Nesse sentido, a série evita simplificações. Em vez de apontar culpados ou vencedores, ela expõe as camadas emocionais que atravessam o caso. Afinal, além do patrimônio bilionário, existe uma rede de afetos, lealdades e interesses que se entrelaçam. Portanto, o público acompanha não só a disputa judicial, mas também os bastidores de um universo em que confiança e poder caminham lado a lado.

A direção artística de Monica Almeida contribuiu para organizar esse mosaico de informações. Segundo a equipe, a narrativa precisou se adaptar constantemente às atualizações do processo. Dessa forma, o projeto manteve flexibilidade até os momentos finais de finalização.

Estrutura que amplia perspectivas

A construção dos episódios segue uma lógica que combina perfis individuais e linha do tempo dinâmica. Ricardo Calil explica o caminho adotado: “No primeiro, conhecemos a história de Anita e de sua secretária Cristine. Depois, a de Suzuki, apontada como dama de companhia da empresária.

No terceiro, Arthur, filho de Suzuki. No quarto, Daniel Silvestri, advogado de Suzuki que chegou à presidência das Pernambucanas. Por fim, mostramos como está a situação no presente e quem são os principais candidatos a herdeiro de Anita”.

Com isso, cada capítulo adiciona novas informações e reposiciona o olhar do espectador. À medida que surgem dados inéditos, a percepção sobre os personagens se transforma. “É como se, a cada episódio, o espectador tivesse uma nova perspectiva da história, com camadas de novos elementos”, afirma Calil.

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Além disso, a série assume que a história ainda se movimenta. Como o processo judicial segue ativo, o roteiro passou por ajustes até o limite do prazo de entrega. “Como toda série que aborda o presente, o roteiro foi ajustado até o último minuto possível para dar conta de uma história que está em pleno movimento”, observa o roteirista.

Ao reunir investigação, drama familiar e disputa empresarial, ‘O Testamento: O Segredo de Anita Harley’ aposta em um tema que mistura dinheiro, poder e relações pessoais. Assim, o Globoplay reforça sua estratégia de investir em histórias reais que despertam curiosidade imediata e mantêm o público atento a cada novo detalhe de um caso que ainda promete desdobramentos.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino