Gabriela Loran detalha cirurgia e emociona ao falar de identidade

Por - 14/01/2026 - 09:00

Gabriela Loran nuaGabriela Loran fez a cirurgia na Tailândia - Foto: Reprodução/ Instagram @gabrielaloran

Gabriela Loran abriu um espaço raro de escuta e reflexão ao conversar com Ana Maria Braga sobre o próprio processo de redesignação sexual. Em cartaz como Viviane na novela Três Graças, a atriz falou de forma direta sobre identidade, família, escolhas pessoais e enfrentamento diário ao preconceito. Ao longo do relato, ela conectou experiência íntima e debate social, sem suavizar os desafios que atravessaram sua trajetória.

Veja Gabriela Loran antes da transição

Desde o início, Gabriela pontuou que a transição também exigiu tempo de compreensão das pessoas ao redor. Segundo ela, o processo não aconteceu apenas no corpo, mas também nas relações.

“Assim como era uma coisa nova pra mim, era uma coisa nova pra eles [familiares]. Então, o que eu mais tive foi paciência, porque eu também estava entendendo. Eu não digo que transicionei, que eu virei outra coisa, que eu me transformei. Eu digo que eu desabrochei”, afirmou, ao destacar o apoio familiar como base emocional.

Cirurgia, decisão e referência internacional

Além da terapia hormonal, Gabriela optou pela cirurgia de vaginoplastia, decisão tomada após pesquisa extensa e cuidadosa. Nesse percurso, a atriz citou Ariadna, ex-BBB, como referência importante.

“Pesquisei muito sobre ela… ela fez a cirurgia lá na Tailândia também, e ali naquele momento eu falei ‘é com esse doutor, com esse médico que eu quero fazer’. Eu queria fazer com o melhor, e assim, aonde eu fiz é referência no mundo inteiro”, contou.

Gabriela Loran detalha o primeiro xixi após a cirurgia

A escolha levou Gabriela à Tailândia, onde permaneceu por quase um mês. O processo incluiu acompanhamento médico constante bem como estrutura completa para recuperação. “Paguei em torno de R$ 115 mil. Esse pacote inteiro contempla tudo: passagem aérea, estadia… fiquei 27 dias na Tailândia, o pós-operatório, me recuperando, com três enfermeiras comigo o tempo inteiro, aprendendo todos os processos”.

A atriz deu mais detalhes: “A gente tem uma primeira consulta com o cirurgião, uma consulta com o psicólogo, com o psiquiatra, para validar mesmo todo esse processo e para se ter certeza de que você quer fazer”, explicou. Ela ainda fez questão de reforçar que a cirurgia não define identidade.

Cirurgia não valida, ela não transforma uma pessoa trans como eu em mais mulher ou menos mulher”.

E continuou: Até porque tem pessoas trans que não querem fazer e está tudo bem. Cirurgia nenhuma valida nada de ninguém”, pontuou, ao ampliar o debate sobre autonomia e respeito.

Transfobia, vivências e resistência diária

Ativa na luta contra a transfobia, a atriz também relembrou episódios de discriminação vividos durante o processo de redesignação. Segundo ela, o preconceito segue estrutural no país. “O Brasil ainda é um país muito preconceituoso, é o país que mais mata pessoas trans no mundo inteiro. A gente sabe isso, então é muito doloroso”, disse. Em seguida, relatou situações concretas que marcaram sua história profissional.

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“Eu mesma, quando estava vivendo esse processo, trabalhava no restaurante na época e passei por algumas situações bem difíceis, de ser posta pra fora de banheiro, de cliente recusar ser atendido por mim, só por eu ser quem eu era, isso mexe com a nossa cabeça”.

Ao final, Gabriela também ajudou a contextualizar o procedimento que escolheu realizar. A vaginoplastia é uma cirurgia de redesignação sexual que constrói uma neovagina a partir de tecidos do próprio corpo. O processo envolve avaliação psicológica e psiquiátrica, preparo físico, acompanhamento médico rigoroso e um período de recuperação prolongado. Embora represente um passo importante para muitas mulheres trans, a cirurgia não funciona como regra ou validação de identidade, já que cada trajetória segue caminhos próprios e igualmente legítimos.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino