O que a caixa-preta do helicóptero de Rick pode revelar

Por - 24/09/2026 - 12:45

O que a caixa-preta do helicóptero de Rick pode revelar Divulgação/FAB

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), recuperou a caixa-preta do helicóptero que caiu em Urubici, na Serra Catarinense, com o cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas a bordo.

Os investigadores encontraram o equipamento entre os destroços, na localidade de Santa Bárbara, e agora o levam para análise em Brasília. A partir daí, surge a pergunta que todo mundo faz: o que essa gravação pode contar sobre os últimos minutos do voo?

O que o Cenipa encontrou

Segundo o Cenipa, órgão central do SIPAER (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o equipamento é um CVR, sigla em inglês para Cockpit Voice Recorder, ou gravador de voz da cabine de comando.

De acordo com a Agência Brasil, o aparelho “contém o registro das comunicações e dos sons na cabine de comando”.

Em seguida, os investigadores vão enviar o gravador ao Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo (Labdata), em Brasília. Lá, segundo o Cenipa, “os trabalhos preliminares de preparação, extração e degravação dos dados serão iniciados pelos investigadores já nos próximos dias”.

Aliás, a presença do gravador chamou a atenção de quem acompanha o setor. Segundo o site especializado Aerojota, “não é comum encontrar um gravador desse tipo em um helicóptero particular desse porte”.

O que a gravação pode mostrar

Na prática, o CVR funciona como um ouvido dentro da cabine. De acordo com o Aerojota, a gravação pode ajudar a reconstruir o ambiente a bordo antes do acidente por meio de “conversas, comunicações pelo rádio, alertas sonoros e outros ruídos”.

Assim, os investigadores podem descobrir, por exemplo, o que o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira conversaram nos momentos finais, se algum alarme disparou e se a tripulação tentou contato com o controle de tráfego aéreo.

Além disso, o barulho do motor e do rotor também entra na análise, já que mudanças no som podem indicar problemas mecânicos.

Isso ganha peso porque, naquele dia, a região estava sob alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para tempestades. Dessa forma, a gravação pode mostrar se a tripulação comentou algo sobre o tempo, sobre a visibilidade ou sobre uma possível mudança de rota.

O que a caixa-preta não revela

No entanto, o gravador de voz tem limites. Até agora, o Cenipa não informou a recuperação de um FDR, o gravador de dados de voo. Esse segundo equipamento registra centenas de parâmetros, como altitude, velocidade, direção e potência do motor, segundo o Correio Braziliense. Sem ele, os investigadores não têm acesso direto aos números do voo.

Por isso, o próprio Aerojota faz um alerta: “Isso, entretanto, não significa que o CVR sozinho apontará a causa do acidente”.

Para completar o quebra-cabeça, os peritos vão cruzar o áudio com outras informações, como dados de radar, comunicações de rádio, análise dos destroços, condições meteorológicas, sinais de celulares e depoimentos de testemunhas.

Como funciona uma caixa-preta

Apesar do nome, a caixa-preta tem cor laranja ou vermelha, justamente para facilitar a localização no meio dos destroços. O equipamento resiste a impactos milhares de vezes maiores que a força da gravidade e a temperaturas acima de 1.100 °C por até uma hora.

Em geral, o CVR guarda as últimas duas horas de gravação, mas a duração varia conforme o modelo do aparelho.

Já no Labdata, os técnicos conseguem extrair dados até de gravadores “severamente danificados”, segundo o site Aeroflap. Para isso, o laboratório usa microscópios de alta precisão, fornos para secar componentes e equipamentos de proteção antiestática.

De acordo com o Cenipa, o Labdata é “o único com tamanha qualificação” na América do Sul para esse tipo de trabalho.

Quanto tempo leva a investigação

Por enquanto, não há prazo. O Cenipa concluiu a fase de Ação Inicial às 15h30 de quarta-feira (23). Agora, a investigação entra na fase de Análise de Dados, que vai estudar “aspectos relacionados ao voo, ao ambiente operacional e aos fatores humanos, além de componentes, equipamentos e sistemas da aeronave”.

Na mesma nota, o Cenipa informou que “a investigação será concluída no menor prazo possível, levando em consideração a complexidade da ocorrência e o tempo necessário para analisar todas as evidências”.

O relatório não aponta culpados

Vale lembrar que a apuração do Cenipa tem caráter preventivo. Ou seja, o órgão busca identificar os fatores que contribuíram para o acidente e emitir recomendações de segurança, e não definir responsáveis.

Paralelamente, a Polícia Civil de Santa Catarina conduz a própria investigação, e a Polícia Científica já periciou os destroços com drones e scanner 3D.

O acidente

O helicóptero, um Bell 430 de matrícula PP-MGR, decolou de Porto Belo, no litoral catarinense, na segunda-feira (21), com destino a São Joaquim, na Serra, mas perdeu contato durante o trajeto.

Na terça-feira (22), as equipes de resgate encontraram os destroços em uma área de mata fechada em Urubici.

Além de Rick, do piloto e do copiloto, morreram no acidente o empresário Bruno Avelar e o videomaker Paulo Soares.

Nesta quinta-feira (24), a família vela o cantor em Sorocaba, no interior de São Paulo,

Idealizadora do site OFuxico, em 2000 segue como CEO e Diretora de Conteúdo do site. Formada em jornalismo pela Faculdade Casper Líbero, desde os anos 1980 trabalha na área do jornalismo de entretenimento. Apaixonada por novelas, séries, reality, cinema e estilo de vida dos famosos.