Glória Menezes não se chamava Glória: Curiosidades que poucos conhecem
Por Flavia Cirino - 18/08/2026 - 17:45
Gloria Menezes - Foto: Globo/ Paulo Belote A mulher que o Brasil aprendeu a chamar de Glória Menezes nasceu com outro nome, teve uma filha que raramente aparece nas manchetes e viveu histórias que dariam uma novela. Nesta terça-feira, 18 de agosto, a atriz morreu aos 91 anos, em casa, no Rio de Janeiro, após mais de seis décadas dedicadas à arte.
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Por trás da estrela que marcou gerações, existia Nilcedes Soares Guimarães. Sim, Glória não se chamava Glória. O nome de batismo surgiu da junção dos nomes dos pais, Nilo e Mercedes. Já no começo da carreira, ela percebeu que precisava de um nome artístico. A escolha por Glória teve uma explicação curiosa: segundo a própria atriz, “Glória é Glória em qualquer idioma”. Menezes entrou na composição por suas raízes portuguesas e também porque o sobrenome completava 13 letras, número que ela considerava de sorte.
Antes de Tarcísio Meira, Glória já tinha sido casada
Outra parte pouco lembrada da biografia da atriz está justamente antes do romance que entrou para a história da televisão. Glória se casou ainda muito jovem, aos 17 anos, com Arnaldo Brito, em uma união que teria sido organizada pela família. O relacionamento durou oito anos e terminou antes de ela viver a história de amor com Tarcísio Meira.
Desse primeiro casamento nasceram Maria Amélia Brito e João Paulo Brito. Depois, com Tarcísio, veio Tarcísio Filho, que seguiu a profissão dos pais. Assim, embora o público costume associar Glória imediatamente ao único filho do casal de atores, a atriz era mãe de três filhos.
Maria Amélia: A filha que quase nunca aparece
Entre os três filhos, Maria Amélia é talvez a presença familiar menos conhecida do grande público. Longe dos holofotes, ela manteve uma vida muito mais reservada do que a mãe e o irmão ator. Ainda assim, alguns raros registros revelaram a forte ligação entre as duas.
Em 2021, Glória emocionou ao levar Maria Amélia até o altar, durante o casamento da filha na fazenda da família, em Porto Feliz, no interior de São Paulo. A cerimônia aconteceu depois de 24 anos de relacionamento da filha com o cirurgião plástico Horácio Cellette Gomes.
Dois anos depois, uma fotografia das duas voltou a chamar atenção justamente pela semelhança. Na ocasião, Glória publicou uma homenagem carinhosa para Maria Amélia e descreveu a filha como um porto seguro, alguém presente de forma discreta nos momentos de alegria e de dor.
A família, aliás, sempre cultivou certa distância da exposição. Quando Tarcísio Meira morreu, em 2021, Maria Pugliese, filha de Maria Amélia, revelou registros íntimos do avô e logo mostrou o vínculo afetivo que existia entre eles. Para a neta, Tarcísio era o “vô dindo”, uma figura profundamente presente em sua vida.
Aos cinco anos já atraída pelo palco
A vocação artística de Glória também apareceu muito antes da fama. Aos cinco anos, durante uma viagem de navio entre Rio Grande e Rio de Janeiro, ela foi secretamente chamada por uma trupe argentina para participar de uma apresentação a bordo.
A menina ganhou um vestido de papel crepom e subiu ao palco. A mãe, surpresa ao encontrá-la na apresentação, tratou de tirá-la dali. Uma das atrizes, porém, teria percebido o que estava diante dela e avisado que aquela menina viveria no palco. Décadas depois, a previsão parecia quase uma profecia.
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A dedicação ao ofício não ficou apenas nas grandes interpretações. Em 2000, para viver a professora Vivian Bearing na peça “Jornada de um Poema”, Glória raspou a cabeça. A personagem enfrentava um câncer e a transformação fazia parte da construção dramática.
Anos depois, repetiu o gesto para interpretar uma monja tibetana em “Joia Rara”, de 2013. A atriz, portanto, não hesitou em abrir mão da própria imagem quando o personagem exigia.
A mulher que fez história antes mesmo de virar estrela
Glória também entrou para a história da televisão brasileira ao protagonizar, ao lado de Tarcísio Meira, “2-5499 Ocupado”, em 1963. A produção da TV Excelsior é considerada a primeira novela diária da televisão brasileira.
O encontro profissional também mudou sua vida pessoal. Glória e Tarcísio se conheceram no início dos anos 1960 e construíram um dos casamentos mais duradouros da classe artística. Foram 59 anos juntos, até a morte do ator, em 2021. No entanto, a trajetória dela nunca se resumiu ao marido.
Vieram personagens como Lara, de “Irmãos Coragem”; a divertida atuação em “Guerra dos Sexos”; a milionária de “Brega & Chique”; e, sobretudo, Laurinha Figueiroa, a inesquecível vilã de “Rainha da Sucata”. A cena em que a personagem se joga de um prédio entrou para a memória da televisão e chegou à primeira página de “O Globo” no dia seguinte à gravação.
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No cinema, Glória também deixou sua marca em “O Pagador de Promessas”, filme de 1962 dirigido por Anselmo Duarte e vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Assim, a despedida de Glória Menezes recupera uma trajetória que vai muito além da imagem da atriz elegante ao lado de Tarcísio Meira. Antes de ser Glória, ela foi Nilcedes. Antes do grande amor, foi mãe de dois filhos. E, muito antes dos aplausos, já havia uma menina que parecia saber exatamente onde queria estar: no palco.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino





















