Manoel Carlos: filha relembra momentos finais do pai

Por - 06/03/2026 - 13:05

manoel carlos com a filhaFoto: Reprodução/Instagram @jules_almeida

A atriz Júlia Almeida abriu o coração ao relembrar os últimos anos de vida do pai, o autor de novelas Manoel Carlos, que morreu em 10 de janeiro, aos 92 anos. Em depoimento à revista Veja, ela narrou como o avanço do Parkinson transformou a rotina da família e revelou por que decidiu manter o escritor longe da exposição pública.

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Conhecido por criar sucessos da televisão brasileira, o novelista enfrentou um período delicado de saúde. Enquanto isso, segundo a filha, a família concentrou esforços no cuidado diário e na preservação da intimidade dele. Ao falar sobre a fase final da vida do pai, Júlia contou que viveu momentos de carinho, mas também enfrentou situações difíceis.

“A convivência com meu pai, Manoel Carlos, nos anos em que o Parkinson avançava, foi ao mesmo tempo afetuosa e dolorosa. Preservar a dignidade dele era minha prioridade. Encontrei paz na convicção de que fiz tudo ao meu alcance para confortá-lo”, disse à Veja. Além disso, ela relatou que a doença mudou completamente a dinâmica familiar.

A rotina passou a girar em torno de cuidados médicos e adaptações dentro de casa. “O dia a dia passou a ser tomado por consultas, exames, ajustes práticos e gente entrando e saindo da casa dele para ajudar. Minha mãe, Bety, foi presença permanente, dando o suporte emocional que nos sustentava”, contou.

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Durante o mesmo depoimento, a atriz explicou por que optou por manter o autor distante dos holofotes durante o avanço da doença. Segundo ela, a escolha surgiu após muita reflexão. “Fiz uma profunda reflexão sobre quão essencial era deixá-lo longe dos holofotes. Embora fosse figura pública, meu pai tinha direito à privacidade”, sacramentou.

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Ao mesmo tempo, Júlia afirmou que enfrentou questionamentos de parte do público e de pessoas próximas. Ainda assim, manteve a decisão. “Muita gente questionou seu recolhimento, mas fui firme: ter escrito tantas novelas ao longo de mais de cinco décadas não autorizava ninguém a participar daquele momento ou convertê-lo em espetáculo. Respeitar seu espaço foi uma forma de amor”, reforçou a atriz.

A atriz também recordou um dos encontros finais com o pai, no último Natal da família. Na ocasião, ela organizou uma celebração reservada. “No último Natal, organizei uma celebração em família. Conversei com ele, beijei sua testa e falei: ‘Pode descansar’ (…) Nosso último diálogo foi uma troca de olhares. Ele partiu aos 92 anos, em 10 de janeiro, segurando minha mão no hospital. Foi em paz, sereno, ainda que tudo tenha sido doído”.

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Por fim, a atriz comentou como viveu o processo de cuidado com o pai. Segundo ela, apesar do apoio de algumas pessoas próximas, o período exigiu esforço emocional. “Apesar das renúncias, cuidei dele mantendo um círculo restrito de amigos que me acolheu e me ajudou a não perder o equilíbrio. Esses anos me amadureceram (…) No começo, me senti solitária. Houve quem dissesse: ‘Conte comigo’ — mas os gestos práticos eram mais raros”, disse à Veja.

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Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.