Morre Afrika Bambaataa, lenda que moldou o hip-hop

Por - 10/04/2026 - 13:23

Morre Afrika BambaataaAfrika Bambaataa - Foto: Divulgação

O hip-hop perdeu um de seus nomes mais influentes. Afrika Bambaataa morreu aos 68 anos, na quinta-feira, 09 de abril, segundo o site TMZ. De acordo com a publicação, o artista enfrentava um câncer e não resistiu às complicações.

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Nascido no Bronx, em Nova York, no fim dos anos 1950, Bambaataa construiu sua trajetória em meio ao cenário urbano que deu origem ao hip-hop. Ainda jovem, integrou a gangue Black Spades e chegou ao posto de liderança. No entanto, a partir dos anos 1970, mudou de direção e passou a organizar festas que ajudaram a consolidar a cultura nas ruas do bairro.

Da rua ao mundo

Esses encontros cresceram rapidamente. Com o tempo, viraram eventos que reuniam DJs, MCs, dançarinos e grafiteiros. Nesse contexto, surgiu também a Universal Zulu Nation, coletivo criado por Bambaataa para promover união e consciência social por meio da música.

Rapper morre de mal súbito no palco

Em 1980, ele lançou “Zulu Nation Throwdown”, primeiro registro oficial. Ainda assim, foi dois anos depois que o impacto se tornou global. A faixa “Planet Rock”, produzida com Arthur Baker, revolucionou o som ao unir batidas eletrônicas e referências do grupo alemão Kraftwerk. O resultado abriu caminho para o electro-funk e influenciou gêneros como techno, house e EDM.

Além disso, a música alcançou o topo das paradas de R&B nos Estados Unidos e se tornou referência para diferentes cenas musicais. A combinação da bateria eletrônica TR-808 com samples eletrônicos moldou uma estética que atravessou décadas.

Influência direta no Brasil

Embora o sucesso tenha sido global, o impacto no Brasil ganhou destaque especial. Nos anos 1980 e 1990, a base de “Planet Rock” inspirou as chamadas “melôs” nos bailes do Rio de Janeiro. Dessa forma, contribuiu diretamente para a formação do funk carioca.

O próprio artista reconheceu essa conexão. Em entrevista ao jornal O Globo, em 2010, afirmou: “Vejo minha música no funk carioca, definitivamente. É tudo parte do electro funk, é minha família. Aqui, são usados mais os ritmos mais próximos da África”.

Ao longo da carreira, ele manteve laços com o país. Em 2008, participou da Virada Cultural. Já em 2010, realizou uma turnê por diferentes capitais brasileiras.

Parcerias e ativismo

Além da música, Bambaataa também se envolveu em causas sociais. Em 1985, participou do projeto “Sun City”, ao lado de artistas como Joey Ramone, Run-D.M.C. e U2, em protesto contra o apartheid na África do Sul.

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No Brasil, construiu pontes com nomes importantes. A cantora Fernanda Abreu gravou com ele a faixa “Tambor”, lançada em 2016 no álbum “Amor Geral”. A música mistura batidas do funk com elementos brasileiros, como o berimbau.

Ao mesmo tempo, artistas como Marcelo D2 e Rapin Hood reforçaram a influência da Zulu Nation em suas trajetórias. Em “Vai Vendo”, D2 cita os princípios do movimento, enquanto em “1967” homenageia diretamente o pioneiro.

Controvérsias recentes

Apesar do legado musical, os últimos anos foram marcados por acusações graves. Segundo o TMZ, diversos homens denunciaram Bambaataa por abuso sexual ocorrido nas décadas de 1980 e 1990. Em 2025, uma decisão judicial determinou o pagamento de um acordo a um dos acusadores, após ausência do artista em tribunal.

Mesmo diante das controvérsias, a trajetória de Afrika Bambaataa permanece associada acima de tudo à construção do hip-hop como movimento cultural global, com impacto direto em diferentes gerações e territórios.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino