Morre Dennis Carvalho, ícone da teledramaturgia

Por - 28/02/2026 - 12:42

Dennis CarvalhoDennis Carvalho - TV Globo/Alex Carvalho

A televisão brasileira perdeu neste sábado, 28 de fevereiro, um de seus nomes mais influentes. Dennis Carvalho morreu aos 78 anos, no Hospital Copa Star, onde permanecia internado. A confirmação partiu da assessoria da unidade e chegou à imprensa nas primeiras horas do dia, o que mobilizou artistas, executivos e fãs que acompanharam décadas de trabalho do diretor.

Dennis Carvalho deixou a Globo em 2022

“O Hospital Copa Star confirma com pesar o falecimento de Dennis de Carvalho neste sábado e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes”, afirma a nota do Copa Star.

Assim que a notícia se espalhou, colegas de profissão relembraram bastidores, parcerias e momentos que definiram uma era da dramaturgia nacional. Dennis deixa três filhos e uma trajetória que atravessou diferentes fases da televisão, desde os primórdios da teledramaturgia até produções que consolidaram o horário nobre como vitrine cultural do país.

Da estreia precoce ao comando de sucessos

Nascido em São Paulo, Dennis Carvalho iniciou a carreira ainda jovem. Em 1964, levado pela mãe à então TV Paulista, participou de um teste para a novela “Oliver Twist”. A partir dali, encontrou na televisão um caminho definitivo. Embora tenha transitado pelo teatro e pela dublagem, o universo das novelas o puxou de volta com força.

Dennis Caravlho foi alvo de processo de ator

Depois da estreia, Dennis atuou em produções da antiga TV Tupi, como “Ídolos de Pano”. No entanto, foi na TV Globo que construiu o capítulo mais robusto de sua história profissional. Ao longo das décadas, alternou funções entre atuação e direção, sempre com presença marcante nos bastidores.

Em 1975, viveu um dos episódios mais emblemáticos da televisão ao integrar o elenco de Roque Santeiro, obra que sofreu censura e acabou retirada do ar antes da estreia oficial, virando símbolo da tensão entre arte e política no período. Posteriormente, a novela ganhou nova versão e entrou para a história.

Além de atuar, Dennis assumiu a direção de projetos que se tornaram referência. Entre eles, destacou-se Pecado Capital, produção que consolidou uma linguagem urbana e direta. Mais tarde, assinou novelas como Vale Tudo, cuja primeira versão expôs corrupção e dilemas morais com contundência rara para a época. O impacto ultrapassou a ficção e entrou no debate público.

A lista de trabalhos inclui ainda Explode Coração, O Dono do Mundo, Fera Ferida e Dancing Days. Cada projeto trouxe um estilo próprio, porém todos carregaram a marca de um diretor que valorizava ritmo ágil, conflitos intensos e personagens complexos.

Nos anos 2000, ele manteve relevância ao comandar Paraíso Tropical e Desejos de Mulher. Além disso, dirigiu Lado a Lado, trama que abordou transformações sociais no início do século XX e conquistou reconhecimento internacional. Já em 2018, esteve à frente de Segundo Sol, seu último trabalho como diretor de novela.

Embora muitos o identifiquem apenas pelo drama, Dennis também imprimiu assinatura na comédia. Ele participou da criação de Sai de Baixo, programa que marcou gerações com humor escrachado e plateia ao vivo. Assim, mostrou versatilidade ao transitar entre gêneros distintos.

Bastidores intensos e vida pessoal sob os holofotes

Ao longo da carreira, Dennis Carvalho construiu fama de diretor exigente. Nos bastidores, colegas relatavam que ele cobrava precisão técnica e envolvimento emocional. Portanto, atores sabiam que enfrentariam jornadas intensas sob seu comando. Em contrapartida, muitos reconheciam que o resultado final justificava o rigor.

Qual era o problema de saúde de Dennis Carvalho

Além da atuação profissional, a vida pessoal também ganhou espaço na imprensa. Dennis foi casado com atrizes conhecidas, como Deborah Evelyn, Tássia Camargo e Christiane Torloni. Os relacionamentos despertaram interesse do público, sobretudo porque todos mantinham forte ligação com a dramaturgia.

Ele teve quatro filhos: Leonardo, Guilherme, Luiza e Tainá. Embora mantivesse discrição em relação à família, aparecia eventualmente em eventos ao lado deles. Ainda assim, preferia concentrar atenções na produção artística.

Durante décadas, Dennis acompanhou transformações profundas na televisão. Viu a transição do preto e branco para o colorido, presenciou mudanças tecnológicas, adaptou-se ao avanço digital e participou de debates sobre linguagem e formato. Consequentemente, seu olhar moldou narrativas que dialogaram com diferentes gerações.

Críticos costumam associar seu nome a uma estética de novela urbana, com ritmo dinâmico e foco em conflitos morais. Além disso, ele apostava em elencos fortes e trilhas sonoras que dialogavam com o momento cultural. Em muitos casos, lançava tendências que depois se tornavam padrão.

Controverso, mas influente

Embora enfrentasse controvérsias ao longo da trajetória, Dennis manteve influência constante na emissora. A cada novo projeto, mobilizava expectativa. Assim, consolidou reputação de diretor capaz de transformar roteiros em fenômenos de audiência.

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Nos últimos anos, reduziu a presença pública, porém seu legado permaneceu em reprises, debates acadêmicos e homenagens. Enquanto novas gerações descobrem suas novelas em plataformas digitais, profissionais experientes reconhecem a contribuição decisiva para o padrão de qualidade que marcou a televisão brasileira.

A morte de Dennis Carvalho encerra um ciclo que começou ainda nos anos 1960. No entanto, sua obra continua viva em cenas icônicas, personagens memoráveis e trilhas que ecoam na memória coletiva. Entre críticas sociais, romances arrebatadores e humor popular, ele ajudou a definir o que o público entende como novela brasileira.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino