Bom Gosto lança audiovisual e celebra 20 anos com samba raiz
Por Flavia Cirino - 23/12/2025 - 12:46

O Bom Gosto marca duas décadas de trajetória com um lançamento que conversa diretamente com sua essência. O grupo disponibilizou no YouTube, nesta segunda-feira, 22 de dezembro, o audiovisual completo de “O Samba Que Eu Vou”, álbum que celebra 20 anos de carreira e reafirma a identidade de uma das formações mais respeitadas do samba contemporâneo.
Ronaldinho Gaúcho é fã do Bom Gosto
Logo na abertura, os versos “Tá nas mãos de Deus/ Pode acreditar/ Bota fé na vida/ Confia que vai clarear.” sintetizam o espírito que atravessa o projeto e também a história do quinteto: fé, resistência e conexão com o público.
Ao longo dos anos, o Bom Gosto acumulou números expressivos, com mais de 900 milhões de streams nas plataformas digitais. Ainda assim, o novo trabalho aposta no caminho oposto ao da grandiosidade tecnológica. A proposta valoriza o encontro, a proximidade e o calor humano que sempre acompanharam o grupo desde as primeiras rodas de samba.
Álbum revisita origens e recria rodas de samba
Gravado no tradicional Restaurante Balbino, em Curicica, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, “O Samba Que Eu Vou” resgata a atmosfera das rodas que marcaram o início da trajetória do Bom Gosto. Sem palco elevado, sem distanciamento e sem hierarquias, o projeto coloca músicos e público no mesmo nível, dividindo o espaço, o ritmo e a emoção. A escolha do local reforça a proposta de retorno às raízes e às memórias afetivas que moldaram a sonoridade do grupo.
“Esse álbum é uma homenagem aos nossos começos. É o Bom Gosto olhando nos olhos do público do mesmo jeito que olhava há vinte anos, num quintal, num terreiro, numa roda sincera”, afirma o grupo. Assim, o audiovisual se constrói como um retrato fiel do samba vivido, sentido e compartilhado, sem filtros artificiais.
Participações reforçam tradição e ancestralidade
O repertório equilibra músicas inéditas, regravações e pot-pourris que atravessam gerações. As participações especiais ampliam o peso simbólico do projeto. Alcione surge no single “Magoou, Abusou”, enquanto Mosquito e Jorge André dividem “Luz do Repente / Ao Som do Fundo de Quintal”, encontro que conecta a herança de Jovelina Pérola Negra à força do Fundo de Quintal.
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Zé Roberto participa de “Nosso Fogo / Inigualável Paixão / Retrato Cantado De Um Amor”. Já Carlos Caetano empresta suas composições no pot-pourri “A Procura Acabou / Depois de Você / A Gente É Isso Aí”.
Mais do que números ou celebrações formais, “O Samba Que Eu Vou” funciona como manifesto de pertencimento. “A gente quis que as pessoas sentissem o calor do ambiente, o cheiro da comida, o barulho dos copos, os sorrisos em volta da mesa. Porque o samba vive disso: de partilha. Esse disco é nossa forma de agradecer ao passado e convidar todo mundo a caminhar com a gente no que vem pela frente”, completa o grupo.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino
























