My Chemical Romance volta ao Brasil e emociona no Allianz Parque

Por - 06/02/2026 - 13:35

Foto: Leo Franco/ AgNewsFoto: Leo Franco/ AgNews

Depois de quase duas décadas de espera, o My Chemical Romance finalmente voltou ao Brasil e transformou a noite de quinta-feira, 5 de fevereiro, em um evento histórico no Allianz Parque. A turnê Long Live: The Black Parade trouxe de volta não apenas a banda, mas também toda a memória afetiva construída desde os anos 2000. E, nesta sexta-feira, 6, o grupo ainda realiza um show extra no mesmo estádio, com alguns ingressos disponíveis.

Antes do reencontro principal, quem assumiu a missão de aquecer o público foi o The Hives, escolha perfeita para abrir a sequência de shows na América Latina.

My Chemical Romance
My Chemical Romance – Foto: Leo Franco/ AgNews

The Hives entrega urgência e provocações no palco

Os suecos chegaram com a energia típica do garage rock e uma postura cênica que mistura humor e provocação. Desde o início dos anos 2000, o The Hives construiu fama internacional com apresentações explosivas, e o Allianz Parque virou prova disso.

O show seguiu direto, intenso e sem espaço para respiro. Com apenas 11 músicas, a banda apostou em faixas curtas, tocadas em sequência, criando uma sensação de rock’n’roll cru, acelerado e vibrante.

Além disso, o vocalista Pelle Almqvist dominou o espetáculo como mestre de cerimônias. Logo em “Enough Is Enough”, ele puxou o público com a ordem: “Pular, pular, paulistas”, e a resposta veio em gritos e pulos, mesmo entre muitos fãs que estavam ali pelo ato principal.

Show de abertura The Hives
Show de abertura The Hives – Foto: Leo Franco/ AgNews

Um aquecimento perfeito antes do emo tomar conta

Mesmo diante de um estádio lotado, com plateia majoritariamente ligada ao My Chemical Romance, o The Hives mostrou segurança de veteranos. A simplicidade ajudou: palco sem excessos, iluminação direta e os tradicionais ternos pretos e brancos.

Em vários momentos, Pelle se aproximou da grade, sentiu o calor do público e elevou o clima, especialmente em “Tick Tick Boom”. Assim, o grupo encerrou com “The Hives Forever Forever The Hives”, deixando a impressão de que poderia facilmente ocupar um posto de headliner.

Foto: Leo Franco/ AgNews

The Black Parade se transforma em cinema ao vivo

Quando o My Chemical Romance apareceu, o estádio mergulhou imediatamente nos anos 2000. A plateia trouxe o visual clássico da era emo: roupas pretas, gravatas vermelhas e ansiedade estampada no rosto de quem esperou 18 anos por aquele momento.

A turnê foca totalmente no universo de The Black Parade, álbum lançado em 2006 e considerado o auge criativo da banda. Além disso, o espetáculo amplia a narrativa do disco, agora ambientada no país fictício de Draag, governado por um regime autoritário liderado pelo Grande Ditador Imortal.

O grupo executou o álbum na íntegra, porém com arranjos especiais. “Mama” ganhou participação da cantora de ópera Charlotte Kelso, enquanto “Teenagers” apareceu em uma cenografia que misturou estética infantil retrô com tons macabros.

Catarse coletiva e hits que atravessam gerações

O show apostou forte no visual: projeções, pirotecnia, iluminação dramática e cenários que reforçaram o clima sombrio e operístico do álbum. Gerard Way conduziu tudo com atuação teatral, equilibrando presença de palco e discursos pontuais.

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O público, por sua vez, retribuiu cantando cada verso em coro. “Welcome to the Black Parade”, “I Don’t Love You” e “Famous Last Words” viraram momentos de catarse coletiva, com o Allianz Parque literalmente incendiado.

No segundo ato, a banda abriu espaço para surpresas como “The World Is Ugly” e o querido b-side “Cemetery Drive”, dedicado ao quadrinista brasileiro Gabriel Bá. Já o final veio com “Helena”, encerrando a noite de forma intensa e previsível, do jeito que os fãs queriam.

O My Chemical Romance voltou tão grandioso quanto no auge, provando que sua obra permanece viva, atual e capaz de mobilizar gerações mesmo décadas depois.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino