Rock in Rio: Segundo dia teve muita chuva, metal e famosos a trabalho
Por Flavia Cirino - 06/09/2026 - 12:38
Note de metal no Rock in Rio - Foto: Lép Franco e Fabrício Pioyani/ AgNews A segunda noite do Rock in Rio 2026 expôs, entre guitarras pesadas, chuva e muita lama, uma curiosa divisão na Cidade do Rock. De um lado, fãs que sabiam cada riff, enfrentavam o mau tempo e transformavam a pista em uma celebração do metal. Do outro, famosos que, sem muito constrangimento, admitiam não curtir o estilo e estavam ali pela experiência, pelo trabalho ou, simplesmente, para atender demandas de clientes.
E, sinceramente, nada resume melhor a tarde e noite de sábado, 05 de setembro.
Confira as principais ativações das marcas no Rock in Rio
O Rock in Rio sempre reuniu tribos diferentes. Por isso, sabemos que ninguém precisa conhecer toda a discografia de uma banda para entrar no festival. No entanto, quando uma noite inteira celebra o metal, chama atenção ver celebridades com visual impecavelmente rocker, mas sem qualquer ligação com o som que tomava conta dos palcos.
Chuva trouxe realidade para a Cidade do Rock
Antes de tudo, a chuva tratou de desmontar parte do glamour. Pancadas atingiram o Parque Olímpico em diferentes momentos e colocaram à prova tanto os fãs quanto as produções cuidadosamente montadas para a noite. Ainda assim, quem estava ali pelo metal não pareceu se importar.
Enquanto capas de chuva dividiam espaço com camisetas de bandas e coturnos encharcados, o público seguia firme. Afinal, para quem esperou meses para assistir às atrações, uma tempestade dificilmente seria motivo para abandonar o festival.
Confira looks de famosos no dia dedicado ao heavy metal
Por outro lado, a chuva também escancarou uma verdade que os grandes eventos tentam esconder sob luzes, camarotes e ativações de marcas: festival de verdade não é confortável. Tem fila, aperto, cansaço, chão molhado e, em alguns casos, até lama.
Mesmo assim, o público entregou o que se esperava dele. Houve rodas de mosh, gritos, empurra-empurra e uma energia que nenhum camarote conseguiu reproduzir.
Metal tomou conta da noite
Nos palcos, porém, não faltou motivo para encarar qualquer desconforto. Sepultura viveu mais um capítulo de sua despedida dos festivais e carregou para o Rock in Rio uma história que dispensa apresentações.
Enquanto isso, Bring Me The Horizon protagonizou um dos momentos mais comentados da programação ao chamar um fã brasileiro para cantar no palco. A cena, aliás, sintetizou muito bem o espírito da noite: proximidade, suor, emoção e uma plateia que queria participar de tudo.
MGK levou sua estética punk para o Palco Mundo, enquanto Avenged Sevenfold fechou a noite com pirotecnia, peso e o espetáculo visual esperado de uma atração principal.
Já no Palco Sunset, Bad Omens, Poppy, Black Pantera com Nervosa e Malvada com Day Limns reforçaram uma programação que não colocou o metal apenas como um intervalo entre atrações mais populares (inclusive, teve músicas de Ricky Martin embalando um grupo de dança). Mas, ao menos nesse dia. o metal mandou no festival.
E os famosos? Bem… nem todos estavam ali pelo som
Foi justamente nesse cenário que o desfile de celebridades ganhou outro significado. Isabelle Nogueia, Jade Picon, Tati Machado, Nanda Costa, Vanessa Giácomo, Vitória Strada e Bruna Griphao, entre outros nomes, surgiram com produções alinhadas à proposta da noite. Teve couro, transparência, coturno, animal print e, claro, muito preto.
Visualmente, tudo funcionava. Musicalmente, nem tanto. Alguns famosos assumiram, inclusive, que não curtem metal. Outros demonstraram que estavam no Rock in Rio pela experiência. E houve quem estivesse ali, de maneira bastante objetiva, para cumprir compromissos profissionais e atender demandas de clientes.
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Nada de errado nisso. Afinal, o festival movimenta publicidade, marcas, influenciadores, artistas e uma gigantesca cadeia comercial. Para muita gente, estar na Cidade do Rock também significa trabalhar.
Porém… Enquanto milhares de pessoas enfrentavam chuva e filas para ver suas bandas favoritas, parte dos convidados VIP parecia cumprir uma espécie de missão corporativa. Foto para a marca, vídeo para as redes, entrevista, ativação, camarote e próxima agenda. O show entrava no roteiro quando sobrava espaço. E está tudo bem, é uma nova realidade!
Quando o figurino conhece mais o rock do que quem o veste
E talvez essa seja a crítica mais interessante da segunda noite. O rock virou estética. O metal também. Hoje, qualquer pessoa pode vestir uma camiseta de banda, uma jaqueta de couro e um coturno sem nunca ter escutado um álbum inteiro do artista estampado no peito. E tudo bem. Moda é linguagem, referência e reinvenção.
Entretanto, existe algo curioso quando essa estética domina justamente uma noite construída sobre um gênero musical que sempre valorizou pertencimento, identidade e paixão.
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A impressão, em alguns momentos, era de que o visual tinha sido estudado com mais cuidado do que a programação.
Assim, o Rock in Rio entregou uma cena quase simbólica dos tempos atuais: o fã molhado, cansado e feliz na pista; e o convidado seco no camarote, impecável para a foto, mas tentando descobrir quem estava no palco.
O verdadeiro espetáculo estava na pista
No fim das contas, a segunda noite do Rock in Rio 2026 mostrou que o metal ainda carrega algo que o algoritmo não conseguiu domesticar. O gênero exige presença.
Não basta aparecer para a foto. É preciso suportar o volume, entender a energia e, acima de tudo, aceitar que aquela experiência não foi criada para ser apenas bonita nas redes sociais.
Por isso, a chuva acabou funcionando quase como um filtro involuntário. Separou quem estava disposto a viver a noite de quem apenas precisava marcar presença.
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Enquanto os famosos garantiam conteúdo, visibilidade e entregas comerciais, o público garantia a alma do festival.
E, entre um temporal, um mosh e uma guitarra no último volume, a Cidade do Rock pareceu lembrar que, antes de virar cenário para celebridades, ela ainda pertence a quem compra ingresso para ver o show.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino






















