Amado Batista entra em lista do trabalho escravo e se defende
Por Flavia Cirino - 07/04/2026 - 12:04
Amado Batista - Foto: Reprodução/ SBTO nome do cantor Amado Batista passou a integrar a chamada “lista suja” do trabalho escravo, atualizada na segunda-feira, 06 de abril, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A inclusão, no entanto, abriu espaço para versões divergentes sobre o que de fato ocorreu nas propriedades rurais ligadas ao artista, em Goianápolis, na Região Metropolitana de Goiânia.
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Por um lado, o Governo Federal sustenta que 14 trabalhadores foram submetidos a condições análogas à escravidão. Por outro, a defesa do cantor rebate a classificação e afirma que não houve resgate de funcionários durante a fiscalização realizada em 2024.
“Não houve resgate de nenhum trabalhador nas propriedades. Todos os funcionários continuam trabalhando na propriedade normalmente!”, afirmou o advogado Mauricio Carvalho, ao g1.
Defesa contesta versão oficial
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, havia as irregularidades em duas áreas vizinhas: o Sítio Esperança, voltado à produção de leite, e o Sítio Recanto da Mata, utilizado para cultivo de milho. As inspeções ocorreram entre 19 e 29 de novembro de 2024, após denúncia que mobilizou também a Polícia Civil de Goiás.
Marcas de perfume envolvidas com trabalho escravo
Enquanto o órgão federal aponta situações como jornada exaustiva e condições degradantes, a defesa apresenta outra leitura. No caso do Sítio Recanto da Mata, o advogado destaca que a área estava arrendada e que os trabalhadores mencionados pertenciam a uma empresa terceirizada contratada para abrir o terreno de plantio.
“Foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada que fora contratada para fazer a abertura da área de plantio”, explicou Mauricio.
Além disso, ele afirma que, após a fiscalização, firmou-se um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho. Segundo a defesa, todas as pendências trabalhistas acabaram quitadas integralmente.
Condições de trabalho entram em debate
Já no Sítio Esperança, a discussão gira em torno das condições de estrutura oferecidas aos trabalhadores. Inicialmente, a fiscalização não teria identificado sinais claros de trabalho forçado. Ainda assim, no decorrer das apurações, constataram-se jornadas que poderiam chegar a até 18 horas diárias.
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O Ministério do Trabalho também descreve problemas nas áreas de descanso e convivência, incluindo falta de camas adequadas, ausência de armários individuais e condições precárias de higiene. Em paralelo, relatos colhidos com funcionários indicam jornadas que variavam entre 12 e 16 horas por dia, sem pausa semanal.
Em contraponto, a defesa afirma concluíram as adequações exigidas. No caso da propriedade voltada à pecuária leiteira, o advogado ressalta a realização e finalização das intervenções estruturais.
“Todos os funcionários são registrados e todas as verbas trabalhistas e consectarios legais são pagos normalmente”, destacou.

Fiscalização detalha cenário nas propriedades
No Sítio Recanto da Mata, o relatório do Ministério do Trabalho e Emprego aponta que quatro trabalhadores atuavam em condições consideradas inadequadas, com pernoite em um galpão improvisado. Além disso, não havia mobiliário básico para descanso nem espaço apropriado para refeições.
“As condições do local eram extremamente precárias, não havendo condições mínimas de habitabilidade. O local não dispunha de camas, sendo que os trabalhadores dormiam no sobre colchões no chão; não eram fornecidas roupas de camas e nem disponibilizados armários individuais para guarda de objetos pessoais; as condições de higiene do local eram precárias, sendo que sequer havia local para se tomar refeições, com mesas e cadeiras”, informou o MTE.
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Ainda segundo o órgão, quando a equipe chegou à área de plantio, as atividades estavam paralisadas. Dois trabalhadores, inclusive, organizavam seus pertences para deixar o local após saberem da inspeção.
Diante desse cenário, o caso segue cercado por versões conflitantes. Enquanto o governo reforça a gravidade das condições encontradas, a defesa sustenta que houve correções imediatas e que não se configurou trabalho escravo nas propriedades vinculadas ao cantor.

Confira o comunicado da defesa de Amado Batista
Primeiramente, a informação veiculada que de houve o “resgate” de 14 trabalhadores na propriedade do Senhor Amado é completamente falsa e inverídica! Não houve de nenhum trabalhador nas propriedades. Todos os funcionários continuam trabalhando na propriedade normalmente!
Ocorreu uma fiscalização em uma fazenda “arrendada” pelo senhor amado para o plantio de milho, na qual foram identificadas irregularidades na contratação de 4 colaboradores que eram empregados de uma empresa terceirizada que fora contratada para fazer a abertura da área de plantio.
O fato ocorreu em 2024, foi assinado um TAC com MPT, na qual todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas.
Outrossim, já estão sendo tomadas todas as providências administrativas para o encerramento de todo e qualquer procedimento de autuação.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino


















