Ana Paula Renault fala sobe luto e influência dos pais em sua personalidade
Por Raphael Araujo - 12/05/2026 - 09:53
Gerardo e Ana Paula Renault - Foto: Reprodução/Instagram Ana Paula Renault não sai dos holofotes desde que venceu o “BBB 26”. A jornalista de 44 anos, que teve uma marcante participação no reality, abriu o coração ao gshow e, além de relembrar o luto pela morte do pai, falou sobre a influência da mãe em sua personalidade. Segundo ela, a maior surpresa veio da identificação de outras mulheres com sua trajetória.
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Na entrevista, a campeã do programa contou que não imaginava a dimensão que sua participação teria fora da casa: “Nunca imaginei que teria essa virada de chave, que as pessoas se abririam para me escutar”.
“A melhor notícia que recebi quando eu saí foi que as mulheres estavam se sentindo mais livres para opinar, falar, seguras para serem ouvidas. Se minha participação teve algum sentido mais amplo, foi exatamente esse”, disse, em síntese.
Ana Paula antes e durante o ‘BBB 26’
Apesar da postura firme que mostrou ao público, Ana Paula admitiu que entrou no “BBB 26” com medo. Afinal, ela já conhecia o peso da exposição desde sua passagem pelo “BBB 16”, quando acabou desclassificada do programa. “Eu entrei com receio, mas eu fui com medo mesmo, porque eu já tinha vivido isso e sabia que não era fácil”.
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Ao falar sobre o episódio vivido há dez anos, ela afirmou que não tenta apagar os erros do passado. “A gente não tem que apagar os erros da nossa vida. Já errei inúmeras vezes, continuo errando, e é ter essa consciência presente dos erros na minha vida para conseguir evoluir”.
Além disso, Ana Paula revelou que não criou estratégias para o jogo. Ao mesmo tempo, contou que nunca cogitou desistir da disputa nem temeu o cancelamento nas redes sociais. “As pessoas tentam me cancelar desde que elas me conhecem. Então eu sabia que era algo que poderia acontecer, mas que é o risco que se corre para gente conseguir ser ouvida, né?”.
Jogo da jornalista
A ex-BBB ressaltou que entrou no reality pensando tanto na estabilidade financeira quanto na possibilidade de ampliar seus trabalhos na televisão e na comunicação. Ainda assim, destacou que também queria combater rótulos impostos às mulheres.
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“O que eu tentei fazer nesses 100 dias foi tentar ser ouvida, desmascarar e jogar abaixo esse estigma que toda mulher que tem opinião é louca, que discorda de alguma coisa (porque) é desequilibrada. O que eu tentei foi dar voz para todas que são parecidas comigo e eu acho que, de certa forma, deu certo”. Na sequência, Ana Paula comentou a imagem que parte do público criou dela ao longo do programa.
“Tentaram me pintar de vilã. Vocês viram que eu não era tão desumana assim, né? Eu estou adorando ser escutada, porque a vida inteira eu fui muito maltratada, ridicularizada, silenciada, subjugada, tratada como louca, histérica, burra. Estou adorando ver a sociedade descobrindo que mulheres podem ter opiniões sensatas e inteligentes”, declarou.
Luto pelo pai e rotina após o reality
Enquanto vive a agenda intensa depois do confinamento, Ana Paula ainda tenta lidar com a morte do pai, Gerardo Renault. Ele morreu enquanto a filha permanecia confinada no “BBB 26”. Durante a entrevista ao Gshow, a jornalista afirmou que ainda não conseguiu retomar totalmente a própria rotina.
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“Eu ainda não voltei para minha vida porque estou cumprindo agenda profissional, né? Então, não consegui voltar para minha rotina, entender muito bem o que está acontecendo. Mas é isso, pelo menos a agenda está cheia, a cabeça está cheia e a gente tem que se manter em movimento”. Ela também destacou o papel do pai em sua formação emocional e profissional.
“Foi o meu pai, antes, durante e depois do reality. Porque meu pai era a figura viva que eu trocava durante todos esses anos. E minha mãe, eu sou a mulher que eu sou, porque sou muito parecida com ela”. Ao recordar a mãe, Maria da Conceição, que morreu quando Ana Paula tinha 16 anos, a campeã do “BBB 26” falou sobre o comportamento da matriarca dentro da própria época.
“Ela já era disruptiva desde a época dela”. Em seguida, Ana Paula explicou que o incentivo do pai foi fundamental para que a mãe ocupasse espaços que muitas mulheres não conseguiam acessar naquele período.
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Graças ao meu pai, que era uma pessoa evoluída, e sempre deixou minha mãe ocupar os espaços que ela queria. Então, eu cresci vendo minha mãe ocupando lugares importantes, sendo escutada e sendo incentivada pelo meu pai. Aconteceu a mesma coisa comigo”.
Ana Paula e suas identificações
Ao olhar para a trajetória da família, a jornalista afirmou que aprendeu desde cedo a não se sentir inferior diante das diferenças sociais. “Minha mãe sempre foi uma mulher à frente do tempo. Ela tinha liberdade para ser quem ela era. Saiu da roça, foi pra capital se formar. Isso era algo completamente disruptivo”.
“Se formou em Letras, que era o curso da época que as mulheres faziam. Depois ela conheceu o meu pai, que era de uma família bem diferente da dela, desde condições sociais… Ela nunca se sentiu inferior por isso”. Além disso, Ana Paula contou que a mãe também influenciou sua relação com autoestima e imagem pessoal.
“Aprendi muito a ser assim por causa da minha mãe. Sempre falavam que o jeito de vestir dela não estava legal. Ela gostava de ser perua, valorizar as próprias curvas, sempre se achou linda e gostosona. Meu marco inicial foi minha mãe. Tenho muito orgulho de ter vindo dela”.
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Por fim, ela relembrou os ensinamentos do pai e disse que herdou dele a coragem para se posicionar. “E meu pai, que sempre foi um homem sensacional. Nasceu em 1929, tinha tudo para ser retrógrado, conservador…. Ele nos ensinou a tomar nosso próprio espaço. Foi com ele que eu aprendi a falar e não ter vergonha de ser quem eu sou. Eu sou ele, assim como eu sou ela”.
Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.























