Bruno Mafra cancela turnê após condenação por estupro de vulnerável

Por - 04/04/2026 - 14:52

Cantor Bruno MafraCantor Bruno Mafra - Foto: Divulgação

O cantor Bruno Mafra anunciou o cancelamento da turnê “Bruno e Trio 2.0”, que teria início neste sábado, 04 de abril, após a Justiça manter sua condenação por estupro de vulnerável. A decisão, divulgada nas redes sociais na sexta-feira, 03, ocorreu dias depois do julgamento em segunda instância que confirmou a sentença. O primeiro show aconteceria em Breves, no arquipélago do Marajó.

De acordo com o comunicado, a suspensão seguiu orientação da equipe jurídica do artista. Além disso, não há previsão de retomada da agenda de apresentações. O posicionamento veio na esteira da decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), que, por unanimidade, manteve a condenação imposta anteriormente.

Condenação confirmada e detalhes do processo

O caso envolve acusações de estupro de vulnerável continuado contra as próprias filhas. Segundo a denúncia, os crimes ocorreram entre 2007 e 2011, período em que as vítimas tinham 5 e 9 anos. Embora os fatos sejam antigos, o caso só ganhou conhecimento público em 2019, quando a denúncia foi formalizada.

O processo correu sob sigilo durante a maior parte do tempo. No entanto, tornou-se público após o julgamento em segunda instância, realizado em 26 de março pela 1ª Turma de Direito Penal. Como resultado, Bruno Mafra recebeu pena de 32 anos de prisão, em regime inicial fechado.

Apesar disso, o cantor não está preso. Em manifestações nas redes sociais, afirmou inocência e indicou que pretende recorrer da decisão. A defesa, por sua vez, sustenta que houve falhas no processo e promete adotar todas as medidas legais cabíveis.

Relatos, provas e posicionamento da defesa

A relatora do caso, desembargadora Rosi Gomes, destacou a consistência dos depoimentos das vítimas. De acordo com ela, os relatos descreveram situações de abuso envolvendo isolamento, manipulação psicológica e atos libidinosos, incluindo sexo oral, ocorridos em mais de uma ocasião. Além disso, familiares próximos, como mãe, avó materna e um tio, corroboraram as declarações.

Outro ponto relevante foi o laudo sexológico, que confirmou a materialidade dos crimes. Ainda assim, a defesa pediu absolvição por insuficiência de provas, argumento que não foi acolhido pelos magistrados.

Durante o julgamento, integrantes da corte também ressaltaram a gravidade de crimes dessa natureza, sobretudo quando ocorrem dentro do ambiente familiar. Um dos julgadores citou dados preocupantes sobre violência sexual contra crianças, o que reforça o impacto social e os desdobramentos a longo prazo dessas situações.

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A decisão seguiu entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece a palavra da vítima como elemento central em casos de violência sexual. Em nota, o escritório responsável pela defesa afirmou que o processo ainda não foi encerrado e reiterou a existência de “relevantes violações ao devido processo legal”.

Além disso, os advogados apontaram preocupação com a divulgação de informações, já que o caso tramitou sob sigilo, o que, segundo eles, exige cautela quanto à exposição pública.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino