CCXP25: ‘Delegado’ é sucessor espiritual de ‘O Agente Secreto’
Por Raphael Araujo - 04/12/2025 - 18:00

Durante a CCXP25, ocorreu um painel do Canal Brasil, focado na nova série que estreia em 2026, “Delegado”, com presença de Johnny Massaro, Tânia Maria, Emilie Lesclaux, Virginia Cavendish, Marcelo Lordello e Leonardo Lacca.
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A série ja ganha uma grande curiosidade: ela é da x, produtora de Kleber Mendonça Filho, marido de Emílio e diretor que está em alta por conta de “O Agente Secreto”.
Aliás, além de Tânia Maria, também vêm do longa mais premiados do Festival de Cannes em 2025 para a série Hermila Guedes e Alice Carvalho, que mandou um recadinho em video agradecendo pela oportunidade.
Os presentes então reforçaram a força de Pernambuco na produção, um ponto que permeou muito “O Agente Secreto”: “É o projeto que eu fiz é que tem mais pessoas de Recife, do Nordeste, pouquíssimas exceções, todo mundo é local. E além da mão de obra, a gente tem ajudado serviços, comércios locais, então isso tem um efeito multiplicador na economia, que é muito importante, e a longo prazo tem um papel de fortalecimento da economia criativa e fundamental”.

Os diretores então reforçaram: “Eu acho que a importância tem a ver com o imaginário, da gente poder contar nossas histórias, o nosso ponto de vista, sair de um lugar que durante muito tempo monopolizou, uma narrativa carioca, uma narrativa paulista. Essa é uma narrativa recifense. E eu tenho muito interesse em ver várias narrativas, vários pontos de vista do Brasil inteiro, muita riqueza. A gente é muito diversos, uma diversidade de paisagem, tanto a paisagem no sentido de uma paisagem natural, ou uma paisagem urbana, quer que seja, mas uma paisagem também humana. A gente vê diferentes sentados”.
“É muito bom poder contar essa história. E dentro do gênero policial, que a gente já foi acostumado ao longo dos anos vendo séries americanas, policiais, ou então filmes. E a gente quis fazer uma série policial desse face, pernambucana, muito específica, falando da nossa cidade também”, completaram, em síntese.
Tânia Maria ovacionada
Na hora de ser entrevistada, Tânia Maria foi ovacionada pelo público. Logo contou:”Minha participação foi peuena, mas foi muito boa. Essa série é ótima, vocês vão assistir, vão gostar” descreveu ela, que interpreta uma mulher apaixonada pelo delegado de Massaro.
Johnny elogiou a colega, e então descreveu seu personagem: “A parte boa de ser ator é que você consegue beliscar um pouquinho de vários universos. O Felipe então é um prato cheio pra isso, porque é um delegado, né? Imagina essa realidade, né? E fazer esse exercício de alteridade, de aproximação de universos com diferença fantástica… no caso do Felipe, inclusive, a gente foi em delegacias de homicídio”.

“O Felipe é inspirado num personagem real, né? Que é um delegado que era bailarino, era ator. Na época não era delegado, claro, e acabou virando. E hoje é responsável por uma delegacia de homicídio no Recife. A gente foi encontrá-lo e foi bastante emocionante. Eu lembro dele contando sobre o cotidiano. Sobre esse constante confronto com a deshumanização e como isso o tocava. Eu também fiquei muito tocado. E a gente imagina que é muito contraditório. Um cara sensível, um artista bailarino que vira delegado. Mas a vida é recheada de contradições, então nesse personagem ele tem muitos. Então ele realmente é muito interessante, particularmente foi um dos mais diferentes, assim, que eu acho que eu interpretei”, garantiu o ator, em síntese.
Ainda, Kleber Mendonça Filho enviou um video direto do aeroporto, pois está em compromissos para “O Agente Secreto”: “Eu queria muito estar nessa apresentação de ‘Delegado’. Eu estou viajando muito com ‘O Agente Secreto’, por isso que eu não estou na CCXP. Mas eu queria deixar esse recado porque eu venho acompanhando o ‘Delegado’ desde a ideia original, depois o roteiro, depois a montanha de imagens, depois a montage., que seria uma série incrível”.
Por fim, o cinema brasileiro atual foi exatado mais uma vez, na qual “Delegado” e “O Agente Secreto” são “filhos”: “É um ano incrível de ter uma visibilidade do cinema brasileiro, desde o ano passado com ‘Ainda estou aqui’, ‘o último Azul’ em Berlim, a gente secreto e muitos outros filmes que mostram a vitalidade e a diversidade do cinema”.
“Mas é claro que a gente passou por uns anos muito difíceis, e que eu acho que teve uma ruptura e a gente ainda está num pouco do excesso de reconstrução do nosso sistema de financiamento dos filmes. Então, é um período de muitos desafios, há muita demanda por mais políticas públicas e a gente está num momento bem complexo com a lei da regulação do Rio de Janeiro que vai agora para o Senado e é uma questão bem estratégica profunda. A continuidade do financiamento do cinema, da soberania cultural. Então muitas questões, mas eu sou otimista, porque eu vejo coisas muito boas acontecendo também”.
Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.

























