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Cristiana Oliveira diz que não faria cenas perigosas com jacarés em Pantanal: ‘Nem pensar. A vida é uma só. Hoje eu tenho consciência’

Divulgação/Edu Rodrigues

Quem é noveleiro de plantão conhece bem a carreira de Cristiana Oliveira. Com mais de 32 anos de trabalho, ela coleciona vilãs, mocinhas, tímidas e peruas. Juma, Alicinha, Selena e Araci são as mais lembradas. Ao OFuxico, Cristiana relembrou cenas perigosas que fez em Pantanal como nadar ao lado de jacarés e ariranhas. No bate-papo ela diz que não faria isso novamente “Nem pensar, meu filho. A vida é uma só”. 

Nos próximos meses, a Globo inicia as gravações do folhetim. Oliveira então refletiu:

“A novela [1990] trouxe questões ligadas à preservação do meio ambiente, ela apresentou o Pantanal para o mundo. A Juma não sabia o que era TV, telefone, energia elétrica, tinha uma total inocência que hoje não tem mais."

"Hoje todas as jovens todas já têm internet. Se houver essa abordagem sobre as queimadas, a preservação, eles terão uma história imensa. A essência dos pantaneiros é imutável”, completou.

Sobre seu maior sucesso na TV, ela disse: “Não era algo sobrenatural, mas eu me transformava nela. Eu era bem magrinha, carreguei a personagem da Cássia Kiss porque eu quis, ela tinha morrido, sai andando com o corpo dela de dentro do rio, não sei como eu fiz aquilo, acontecia umas coisas… andar a cavalo, morria de medo de andar, entrei no meio dos jacarés, das ariranhas, era tudo normal”. 

Cristina brincou e afirmou que não faria essas cenas novamente:


“Nem pensar, meu filho. A vida é uma só. Quando a gente vai amadurecendo, vai conhecendo os medos. Hoje eu tenho consciência”.

Apaixonada por cursos de arte e filosofia, Cristiana sempre se preocupou com as mensagens que seus trabalhos pudessem passar para o público, tanto que cada vez mais desenvolve ações sociais voltadas para as mulheres e o meio ambiente. “Sinto muita falta de estar atuando. Pra mim tem que ser desafiador, gosto de personagens distantes daquilo que eu sou. Quero morrer no palco assim como Cacilda Becker”.

Os contratos longos serviam de base para Oliveira investir no teatro e no cinema como atriz e produtora, há alguns anos ela se tornou sócia e diretora de comunicação de duas empresas de cosméticos: “A TV é o meio que melhor paga, temos que aproveitar esses dez meses [obra certa] para segurar esse dinheiro e produzir teatro, cinema. Por isso, me tornei empreendedora. Quando eu tinha um contrato longo, tinha uma certa estabilidade, e naquela época não tinha esse lado empreendedora, agora tenho feito palestras sobre negócios em parceria com o Sebrae”.

Toda a visão que a profissão e os estudos lhe trouxeram, mais sua própria experiência de vida, fizeram de Oliveira uma mulher à frente do seu tempo. Formada em jornalismo, a atriz defende fortemente ações e programas que ajudem mulheres a desenvolverem seus trabalhos com vendas, entre outros serviços, como na pandemia em que milhares de famílias passaram a depender cada vez mais dos trabalhos das brasileiras:

“Fui criada em uma educação muito machista, mas ao longo da minha vida fui buscando outras coisas. Sou independente”.

A atriz afirmou que as mudanças de visual que teve que passar por conta das personagens lhe trouxeram desafios e que no dia a dia não é refém da beleza: “Já perdi muito cabelo, hoje estou voltando ao natural, que é ondulado”. Sobre os ataques e críticas que recebe nas redes sociais, a veterana entende como “covardia” e “falta do que fazer”: “Tenho pena dessas pessoas, quem é você para me dar conselhos [sobre mudanças no visual], não precisa me seguir, me atacar”. Oliveira faz questão de destacar que o carinho do público é importante e muito mais forte do que os ataques.

Um dos maiores desafios de Cristina foi dar vida à presidiária Araci de “Insensato Coração”. Na trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, ela engordou 25 quilos e infernizou a vida da protagonista, vivida por Gloria Pires: “Fui mega paquerada naquela época. Era toda malhada, era músculo mesmo, malhava todo dia, comia de tudo. Após mudar minha alimentação e fazer aeróbicos perdi os 25 quilos em três anos. Ainda durante a novela eu já fui emagrecendo, não sofri no pós”. A personagem marcou muito a trajetória de Cristiana: “Foi um estrondo! colegas e a imprensa me elogiaram muito por conta da Araci. Foi um trabalho memorável”.

“Até hoje as pessoas me chamam de Juma, Selena, Alicinha e Araci”.
 


E é justamente por conta dessas quatro mulheres que o trabalho de Cristiana marcou a história da dramaturgia: “Tenho personagens marcantes. Passei pelo drama, comédia, suspense, passo pela vilã, tímida… Não sou de me expor tanto, e as pessoas esquecem que eu sou camaleoa. No teatro se surpreendem comigo. A arte mudou a minha vida”.