Daniel Vorcaro troca de advogado e deve fazer delação premiada
Por Flavia Cirino - 14/03/2026 - 09:43
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução/ Polícia PenalA troca de advogado do banqueiro Daniel Vorcaro movimentou os bastidores políticos e jurídicos em Brasília. Dono do Banco Master, o empresário decidiu substituir sua defesa horas depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formar maioria para manter sua prisão preventiva.
No lugar do advogado Pierpaolo Bottini, assume agora o criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido pela atuação em casos de grande repercussão no país. Embora a mudança ainda não tenha sido explicada publicamente pela defesa, o gesto gerou interpretações imediatas no meio político.
Qual a relação entre Daniel Vorcaro e influenciadores digitais
De acordo com interlocutores do Congresso, a troca de advogados costuma ocorrer quando investigados passam a avaliar a possibilidade de colaboração com autoridades. Por isso, nos bastidores, cresce a percepção de que Vorcaro pode negociar um acordo de delação premiada.
A movimentação ocorre em um momento sensível do processo. O banqueiro enfrenta investigações relacionadas a um suposto esquema de fraude financeira que já colocou diversas figuras influentes sob atenção de investigadores.
Troca na defesa levanta hipótese de delação premiada
A mudança na estratégia jurídica coincidiu com o julgamento que manteve Vorcaro preso. No plenário virtual da Segunda Turma do STF, os ministros começaram a analisar o pedido de liberdade na sexta-feira, 13 de março.
TRF impôs regras rígidas a Vorcaro
Em menos de uma hora após o início da sessão, formou-se maioria contra o banqueiro. O relator do caso, André Mendonça, votou pela manutenção da prisão preventiva. Logo depois, os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o entendimento.
Ainda restava o voto do presidente da Segunda Turma, Gilmar Mendes. Entretanto, mesmo antes da conclusão do julgamento, o resultado já apontava para a continuidade da detenção.
Outro integrante do colegiado, Dias Toffoli, declarou suspeição no processo e optou por não participar da análise.
Diante desse cenário, a possibilidade de um acordo de colaboração passou a circular com mais força entre parlamentares e integrantes do chamado Centrão. O ponto central da discussão envolve qual órgão conduziria a negociação.
PF ou PGR: disputa nos bastidores por eventual acordo
Caso Vorcaro opte pela delação premiada, o acordo poderá ocorrer com a Procuradoria-Geral da República ou com a Polícia Federal. Em qualquer um dos caminhos, a colaboração precisará de homologação do ministro relator André Mendonça.
Nos bastidores políticos, a escolha entre os dois órgãos desperta interesse direto. Integrantes do Centrão avaliam que um acordo conduzido pela Polícia Federal poderia abrir espaço para investigações mais amplas.
Por outro lado, um eventual entendimento com a Procuradoria-Geral da República tende a seguir um escopo considerado mais restrito, segundo avaliação de interlocutores ouvidos reservadamente.
Além disso, outro fator amplia a tensão em torno do caso: a extensa rede de contatos atribuída ao banqueiro. Investigadores analisam possíveis relações com servidores públicos, parlamentares, lideranças partidárias e até integrantes do Judiciário.
Nesse contexto, o caso também colocou sob observação a relação de Vorcaro com ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
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Paralelamente, interlocutores do empresário já iniciaram sondagens discretas junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República para avaliar a disposição das instituições em discutir um eventual acordo.
Essas conversas tiveram caráter preliminar e ocorreram antes do julgamento que analisava a situação do banqueiro no Supremo. Ainda assim, o vazamento das sondagens chamou atenção no meio político.
Segundo pessoas próximas à investigação, a divulgação das consultas teria como objetivo pressionar pela liberação de Vorcaro antes da decisão do STF. Contudo, a estratégia perdeu efeito quando os ministros formaram maioria para manter a prisão preventiva ainda no início da sessão virtual.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino














