‘Eu ia morrer’, diz Mariana Goldfarb sobre relacionamento abusivo
Por Andreia Takano - 05/12/2025 - 14:17

Mariana Goldfarb fez um alerta em suas redes sociais. A modelo deu detalhes sobre o relacionamento abusivo vivido no passado, sem citar nomes. O relato faz parte da campanha do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre violência contra mulher.
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“Percebi que estava num relacionamento abusivo acho que desde muito cedo, mas eu não sabia nomear. A violência psicológica não deixa marca visível, mas ao mesmo tempo, agora olhando para trás, eu consigo, sim, ver a violência psicológica se transformando no meu corpo em formas de queda de cabelo, olho tremendo, falta de apetite, doença como anorexia. Essa tortura psicológica que aparece através do tratamento de silêncio, que é insuportável, tudo é para te desestabilizar e é tudo sobre controle”, iniciou.
“Dói também perceber que não é amor. Nunca foi amor, é tudo sobre poder, dominação e controle. Eu nunca sabia direito o que viria. Era sempre um ‘pisar em ovos’, sempre uma coisa muito extenuante fazer de tudo para que o dia terminasse bem, e não vai terminar bem. Eu comecei a beber muito. Acho que a gente vai procurando subterfúgios também para anestesiar a dor. Também ouvi muito das minhas amigas e do meu circulo familiar de que aquilo estava errado, porque era visível. Eu já não era eu mesma”.
“O meu brilho tinha saído porque parece que tem alguém na sua jugular chupando e sugando tudo. Você vai minguando mesmo. A partir do momento que você tem um entorno, fica mais difícil de te manipular. Se for cortando essas pessoas, que são tão importantes para você e te lembram que você é, você se vê nelas também, fica muito mais vulnerável”, relembrou.
“Também é uma outra coisa, porque assim, nenhum amizade presta: ‘Todas são ruins, invejosas, todas estão com ciúmes de você, todas estão querendo ser você’. É isso que você escuta. ‘Sua família também não presta'”. Acho que tem um jogo psicológico também de culpa, vitimização e o que é tão difícil também… escutei muito isso: ‘Mas por que você não sai?’. E eu entendo porque foi só a partir do momento que vivi isso, que entendo que não é só isso. Não é uma relação saudável, não é simples sair. Existe uma dependência que acaba aparecendo também. O problema dessa relação é que ela vai na tua identidade, a maneira como você se enxerga no mundo, como você é. A partir do momento que você não sabe mais o que é, é como se a gente fosse um zumbi”, disse.
“O problema de ouvir por muito tempo que ‘você não é capaz’ é que uma hora você acaba acreditando. Tem um momento que ou você sai ou morre. E assim, a tua alma morre e não só a alma, muitas mulheres de fato morrem, né? Então, começa às vezes com a coisa psicológica e vai crescendo. E a gente acha que não vai acontecer com a gente, mas acontece. Eu consegui sair num momento que eu tinha só mais 5% de oxigênio. Ou usava aquele 5% naquele momento, ou ali eu ia morrer. Consegui sair nesse último respiro. Ou era isso, ou fica ali para o resto da vida, ou até alguma coisa mais séria acontecer”, continuou.
“Demorei muito tempo para conseguir me separar, porque requer muita coragem. Não vou mentir dizendo que é muito fácil. Eu demorei anos. Não é fácil. Quero dizer que a saída existe. Que ela é possível, não é utópica. Tanta gente conseguiu, por que você não vai? Não ignore os sinais, não ache que esse é o único tipo de relação possível. Porque não é”.
“Relação saudável existe. Se você está num lugar que te apequena, que é apertado, sai, porque não tem nada mais importante que a sua vida. O personagem muda, mas a dinâmica do relacionamento se mantém. Então, por isso é tão importante entender o que está acontecendo para que o padrão mude. Fulano jogar o controle na sua direção, jogar garrafa d’água, bater a porta de tal forma, gritar absurdo, fazer tratamento de silêncio, te diminuir, ter um ciúme excessivo, te controlar, podar, castrar, não é normal”.

























