Imperatriz leva Ney Matogrosso à Sapucaí com enredo ‘Camaleônico’

Por - 15/02/2026 - 18:32

Ney Matogrosso e casal de mestre-sala e porta-bandeira da ImperatrizNey Matogrosso e casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz - Foto: Imperatriz Leopoldinense

A Imperatriz Leopoldinense será a segunda escola a desfilar neste domingo, 15 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A expectativa aponta para um início entre 23h20 e 23h30, logo depois da abertura da noite.

Dessa vez, a verde e branca aposta em um tema vibrante e carregado de simbolismo: “Camaleônico”. Assim, a escola escolhe celebrar um artista que atravessa décadas sem perder força, sempre mudando de forma, de cor e de impacto: Ney Matogrosso.

A proposta nasce com uma figura difícil de definir. Ney cantou ser “homem com H”, porém também surge como bicho, pássaro ou fera. Ele mistura pele, brilho, plumas e máscaras, enquanto desafia qualquer tentativa de encaixe. Além disso, sua presença no palco carrega o mesmo fascínio de uma fantasia de carnaval: múltipla, inesperada, impossível de reduzir.

Ney Matogrosso, liberdade em voz e corpo

Quem acompanha seus movimentos não encontra respostas simples. Ney dança com um corpo que serpenteia, provoca e encanta. Ao mesmo tempo, ele equilibra força e delicadeza, batom e pelo no peito, olhar marcado e voz suave. Dessa forma, sua arte se transforma em instinto e liberdade.

Além disso, existe um poder raro no centro dessa trajetória: a voz. Uma voz que canta quando tentam calar, que mistura doçura e grito, silêncio e explosão. Portanto, sua música atravessa sentidos como alimento para olhos e ouvidos.

IZA
IZA plena na Sapucaí – Foto: Léo Franco/ AgNews

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A cada fase, ele se reinventa. Às vezes, surge como malandro perigoso ou amante proibido. Em outros momentos, aparece como anjo torto, divindade fora da regra, santo sem comportamento esperado. Ainda assim, ele sempre acolhe quem ficou à margem: os diferentes, os loucos, os que não cabem no normal imposto.

Suas canções também falam de dores antigas e culturas silenciadas. Porém, ao mesmo tempo, abrem espaço para prazer, festa, desejo e alegria. Ney canta para quem não aceita fingimento e para quem dança mesmo quando tentam impedir.

Quando o artista vira o rosto para a folia, tudo se ilumina. Então surgem músicas solares, convites para amar, rir, suar e viver sem culpa. Uma celebração tropical, livre de medo e de moral apertada.

É essa criatura em constante mutação que a Imperatriz Leopoldinense leva para a Sapucaí: um desfile sobre transformação, arte e ousadia, onde ser muitos vira a maior forma de existir.

IZA
IZA – Foto: Léo Franco/ AgNews

É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino