Brigitte Bardot: Viúvo expõe causa da morte da atriz francesa
Por Flavia Cirino - 07/01/2026 - 12:45
A atriz morreu aos 91 anos - Goto: BangA atriz francesa Brigitte Bardot passou por duas cirurgias para tratar um câncer antes de morrer no mês passado. Quem fez a revelação foi seu marido, na véspera de seu funeral, ocorrido nesta quarta-feira, 7 de janeiro, em Saint-Tropez.
Ícone do cinema e defensora dos direitos dos animais, Bardot “suportou muito bem as duas cirurgias que fez para tratar o câncer que lhe tirou a vida”, disse o viúvo Bernard d’Ormale, em entrevista publicada na noite de terça-feira, 6 de janeiro, no site da Paris Match.
Qual a relação entre Brigitte Bardot e a cidade de Búzios?
Brigitte Bardot construiu uma das imagens mais marcantes do cinema europeu do século 20. Símbolo de liberdade, sensualidade e ruptura de padrões, a atriz francesa ultrapassou fronteiras e influenciou gerações. Ao mesmo tempo, nos últimos anos, sua figura pública passou a carregar contradições profundas. Hoje, dividem opiniões e colocam sua trajetória sob constante revisão crítica.
Enquanto o legado artístico segue presente na cultura pop, declarações e posicionamentos políticos acabaram deslocando o foco da admiração para o debate. A Bardot que revolucionou costumes nos anos 1950 e 1960 conviveu com uma imagem marcada por condenações judiciais e discursos controversos. E isso tornou sua história ainda mais complexa.
Condenações judiciais e vínculo com a ultradireita
Nos últimos anos, o nome de Brigitte Bardot esteve associado a diversas polêmicas envolvendo declarações consideradas racistas e xenófobas. A Justiça francesa a condenou mais de uma vez por falas direcionadas principalmente a muçulmanos. Assim reforçando a imagem de uma figura pública em conflito com valores democráticos contemporâneos.
Além disso, Bardot manteve vínculos com a ultradireita francesa. Isso ampliou o distanciamento entre a atriz e parte significativa do público que, durante décadas, a enxergou como símbolo de transgressão e liberdade. Esse contraste alimenta debates recorrentes sobre até que ponto a obra pode ou não ser dissociada da pessoa.
Assim, sua imagem passou a circular menos pelos feitos artísticos e mais pelas controvérsias, cenário que impacta diretamente a forma como novas gerações entram em contato com sua história.
Relatos sobre saúde mental e tentativas de suicídio
Paralelamente às controvérsias políticas e judiciais, Brigitte Bardot também expôs fragilidades pessoais ao longo dos anos. Em 2010, em entrevista à revista francesa Paris Match, a atriz falou abertamente sobre sua saúde mental e experiências extremas vividas longe das câmeras.
“Já estive à beira do suicídio diversas vezes — é um milagre que eu ainda esteja viva.”
O relato trouxe à tona uma dimensão pouco associada à imagem pública construída ao longo da carreira. Apesar do status de ícone, Bardot enfrentou sofrimento psicológico intenso, o que contribuiu para uma leitura mais humana de sua trajetória, ainda que cercada de controvérsias.
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A declaração repercutiu amplamente na época, sobretudo por partir de uma figura historicamente associada à força, à ousadia e ao controle absoluto da própria imagem. Ao expor essas experiências, Bardot rompeu com o silêncio que frequentemente envolve saúde mental entre personalidades públicas de sua geração.
Entre o impacto cultural incontestável, as posições políticas extremas e os relatos pessoais de dor, Brigitte Bardot permanece após dia morte como uma figura que provoca debate, desconforto e reflexão — tanto sobre os limites da idolatria quanto sobre as contradições que atravessam personagens históricos transformados em símbolos.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino























