Bruce Springsteen ataca Donald Trump com música em forma de protesto

Por - 30/03/2026 - 06:21

Bruce SpringsteenBruce Springsteen - Foto: Pam Springsteen

A noite do último sábado, 28 de março, ganhou contornos políticos e emocionais em Saint Paul, no estado de Minnesota. O cantor Bruce Springsteen subiu ao palco durante um ato contra o presidente Donald Trump e apresentou a canção de protesto “Streets of Minneapolis”, que nasceu em meio a um cenário de tensão e violência envolvendo operações federais de imigração.

Bruce Springsteen já se encantou pelo churrasco brasileiro

O evento ocorreu na sede do governo estadual e reuniu lideranças políticas e moradores impactados pelos episódios recentes. Antes do show, o governador Tim Walz fez um discurso contundente e classificou Trump como “aspirante a ditador”, o que elevou ainda mais o tom da manifestação.

Logo depois, Springsteen assumiu o microfone e direcionou suas palavras ao público, conectando sua fala aos acontecimentos que marcaram o início do ano em Minnesota. “No último inverno, tropas federais trouxeram morte e terror para as ruas de Minneapolis”, disse o artista. “Bem, eles escolheram a cidade errada. A força e a solidariedade do povo de Minneapolis e de Minnesota foram uma inspiração para todo o país.”

Discurso forte relembra vítimas e cobra justiça

O cantor não se limitou à performance musical. Além disso, ele trouxe à memória os casos de violência que mobilizaram a população local e geraram críticas às ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). Duas mortes, em especial, marcaram o período e ampliaram o debate sobre o uso da força por agentes federais.

Bruce Springsteen já pensou em tirar a própria vida

Durante o discurso, Springsteen citou diretamente as vítimas. “Vocês nos deram esperança, nos deram coragem, também para aqueles que deram suas vidas, Renee Good, mãe de três filhos, brutalmente assassinada; Alex Pretti, enfermeiro do Departamento de Assuntos de Veteranos, executado pelo ICE, baleado pelas costas e deixado para morrer na rua sem nem sequer a decência de nosso governo sem lei investigar suas mortes. Seu sacrifício e seus nomes não serão esquecidos”, afirmou.

A fala repercutiu entre os presentes, sobretudo porque familiares das vítimas e autoridades locais questionam a condução das operações. Enquanto isso, o governo federal mantém o respaldo às ações do ICE, o que intensifica o embate político.

Música transforma dor em protesto público

Lançada em janeiro, “Streets of Minneapolis” surgiu após a morte de Alex Pretti, que registrava uma operação contra imigração irregular quando foi baleado. A canção rapidamente ganhou força nas plataformas digitais e passou a simbolizar resistência para parte da população.

Em um dos trechos, Springsteen canta: “Os capangas federais de Trump o espancaram/ No rosto e no peito/ Então ouvimos os tiros/ E Alex Pretti jazia morto na neve”. Já no refrão, a mensagem reforça a memória coletiva: “Oh, nossa Minneapolis, ouço a sua voz/ Chorando em meio à névoa sangrenta/ Vamos nos lembrar dos nomes daqueles que morreram/ Nas ruas de Minneapolis”.

Durante a apresentação, o artista destacou a capacidade de reação da população diante da crise. “Sua força e seu comprometimento nos mostraram que isto ainda é a América, e esse pesadelo reacionário e essas invasões de cidades americanas não serão tolerados”, declarou, sob aplausos.

Cantor mantém postura política e ignora críticas

A postura crítica de Springsteen não representa novidade em sua trajetória. Ao longo das últimas décadas, o músico construiu uma carreira marcada por posicionamentos políticos e engajamento social, o que, por outro lado, também provoca reações divididas entre fãs.

Em entrevista recente à Variety, ele comentou a repercussão de suas opiniões e afirmou não se preocupar com possíveis perdas de público.

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“Meu trabalho é muito simples: faço o que quero, digo o que quero e as pessoas têm o direito de dizer o que quiserem sobre isso. Essas são as regras do jogo. Para mim, está tudo bem. Não me preocupo em perder parte do público. Sempre tive uma noção da posição que ocupamos culturalmente e continuo profundamente comprometido com a ideia da banda. As reações negativas fazem parte do processo. Estou preparado para tudo isso”, disse.

Enquanto isso, o artista se prepara para a turnê “Land of Hope & Dreams American”, que deve ampliar ainda mais o alcance de suas mensagens políticas e reforçar a conexão entre música e ativismo em um momento de forte polarização nos Estados Unidos.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino