EUA e Israel atacam Irã e ampliam risco de guerra

Por - 28/02/2026 - 08:41

Estados Unidos e Israel atacam o IrãEstados Unidos e Israel atacam o Irã - Foto: Reprodução/ Xis

Estados Unidos e Israel executaram um ataque coordenado contra o Irã na madrugada deste sábado, 28 de fevereiro, o que elevou de forma imediata a tensão no Oriente Médio. Explosões atingiram Teerã e ao menos outras quatro cidades estratégicas. Em seguida, o governo iraniano respondeu com disparos de mísseis contra Israel e ofensivas direcionadas a bases americanas na região.

Sensitiva prevê novo ataque a Trump

Autoridades israelenses afirmaram que o aiatolá Ali Khamenei e o presidente Masoud Pezeshkian figuraram entre os alvos. No entanto, até o momento, não há confirmação oficial sobre os efeitos diretos da ação contra as lideranças. Fontes indicaram que Khamenei não estava em Teerã nas horas que antecederam o bombardeio, embora seu paradeiro permaneça sob sigilo. Já a agência estatal IRNA informou que Pezeshkian está em segurança.

O que se sabe sobre o ataque

Relatos de agências internacionais apontam que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e estruturas ligadas ao líder supremo na capital iraniana. Além disso, explosões ecoaram em Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah, cidades espalhadas por diferentes regiões do país. Diante do cenário, o governo iraniano fechou o espaço aéreo como medida emergencial.

A agência Tasnim divulgou que 24 estudantes de uma escola de meninas no sul do Irã morreram durante os ataques. Enquanto isso, a ofensiva ampliou o clima de apreensão em países vizinhos, sobretudo aqueles que abrigam bases militares norte-americanas.

Ex-apresentador da CNN é preso nos EUA por fazer protesto

Em resposta direta, o Irã lançou mísseis contra território israelense. Sirenes de alerta soaram em diversas cidades de Israel, o que levou moradores a buscar abrigos. Paralelamente, explosões foram ouvidas em nações como Catar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Esses países mantêm presença militar dos Estados Unidos, fator que agrava o risco de escalada regional.

Os Emirados Árabes Unidos informaram que interceptaram vários mísseis iranianos e confirmaram a morte de uma pessoa em Abu Dhabi. Testemunhas também relataram uma explosão em Dubai. Assim, a crise ultrapassou rapidamente as fronteiras de Irã e Israel.

Vale destacar que esta é a segunda ofensiva americana contra o Irã em menos de um ano. Em junho de 2025, forças dos EUA bombardearam estruturas nucleares iranianas em apoio a Israel, que à época enfrentava confrontos diretos com Teerã.

Trump e Netanyahu endurecem o discurso

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o objetivo central da operação é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano. Segundo militares, a ação pode se estender por dias. O Pentágono classificou a ofensiva como “fúria épica”.

Donald Trump ataca Robert De Niro

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Trump declarou: “Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos”. Além disso, ele incentivou a população iraniana a pressionar pela queda do regime dos aiatolás e afirmou que militares que resistirem irão “enfrentar a morte certa”.

Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a operação busca “eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã”. Ele também afirmou que a ofensiva “criará condições para que o povo iraniano tome as responsabilidades do seu destino”.

O que rolou antes do ataque

A escalada ocorre após semanas de negociações entre Washington e Teerã. A última reunião aconteceu no último dia 26 de fevereiro, em Genebra. Na ocasião, enviados americanos classificaram as conversas como positivas e agendaram novo encontro para a próxima segunda-feira, 02 de março. Ainda assim, divergências permanecem centrais. Os Estados Unidos exigem a interrupção do enriquecimento de urânio, pois temem a construção de uma bomba nuclear. O governo iraniano, por outro lado, sustenta que o programa possui fins pacíficos voltados à geração de energia.

Receba as notícias de OFuxico no seu celular!

Além disso, Washington busca restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e pressionar pelo fim do apoio a grupos armados no Oriente Médio. O Irã indicou disposição para limitar o enriquecimento em troca do alívio de sanções econômicas. Apesar disso, autoridades iranianas prometeram resposta “feroz” diante de qualquer ataque americano, mesmo que limitado.

A tensão entre Irã e Estados Unidos atravessa décadas. Desde 1979, após a Revolução Islâmica que instaurou o regime dos aiatolás, os dois países acumulam confrontos diplomáticos, sanções e embargos. Portanto, o ataque deste sábado se insere em uma disputa histórica que agora atinge um novo patamar de risco geopolítico.

Tags:

É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino