Guilherme, o Padre DJ, transforma rave em ato de fé e emoção
Por Flavia Cirino - 19/04/2026 - 14:10
Guilherme, o Padre DJ - Foto Reprodução/ Instagram @padre.guilhermeDe jeans, colarinho clerical e um terço no pulso, o padre português Guilherme Peixoto surpreendeu ao assumir as pick-ups na noite de sábado, 18 de abril, na icônica Praça de Maio. O evento, que homenageou o legado do Papa Francisco um ano após sua morte, reuniu uma multidão e transformou o centro político argentino em uma celebração que uniu espiritualidade e música eletrônica.
Qual foi a causa da morte do Papa Francisco?
Logo no início, a proposta ficou clara. Enquanto batidas techno ecoavam pela praça, trechos de discursos do pontífice se misturavam à trilha sonora, criando uma atmosfera única. Versões eletrônicas de clássicos como “Ameno (dori me)” ganharam nova vida, ao mesmo tempo em que referências populares, como temas de videogame, aproximaram o público jovem. Assim, o espetáculo rompeu barreiras tradicionais e conectou diferentes gerações.
Fé, pista e mensagem
Do palco, marcado por uma cruz iluminada e projeções simbólicas, Peixoto conduziu a experiência com propósito. Antes mesmo de tocar, ele explicou a intenção: fazer com que “a música consiga tocar os corações a tal ponto que os jovens voltem para casa com vontade de mudar o mundo”. Ao longo de duas horas, essa ideia ganhou forma.
Em um dos momentos mais marcantes, a voz de Francisco ecoou com a frase “A Igreja não é uma ONG”, enquanto, mais tarde, outra mensagem reforçou o espírito do encontro: “Façam bagunça”.
Além disso, a escolha do repertório ampliou o impacto. Trechos de “Sólo le pido a Dios”, de León Gieco, surgiram entre encíclicas e beats, levando o público a cantar junto. Ao mesmo tempo, elementos visuais — como a imagem de uma pomba branca — reforçaram o simbolismo religioso sem perder o clima de festival.
Da paróquia para o mundo
Natural de Guimarães, Peixoto equilibra vocação religiosa e paixão musical desde cedo. Ordenado em 1999, ele nunca se afastou da música; pelo contrário, incorporou essa linguagem à sua trajetória. Com o tempo, aprendeu a mixar sozinho e encontrou, sobretudo durante a pandemia, uma nova forma de evangelização por meio de lives que viralizaram.
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Desde então, o “padre DJ” ganhou o mundo. Passou por cidades como Lisboa, Beirute e até o Rio de Janeiro. Ainda assim, ele aponta momentos decisivos, como uma apresentação em Ibiza, onde sentiu uma conexão intensa com o público. Segundo ele, ali ficou evidente que a música pode ser ponte.
Por isso, eventos como o de Buenos Aires reforçam essa missão. Entre batidas e mensagens, Peixoto não apenas anima multidões — ele propõe reflexão. E, enquanto a pista vibra, a fé encontra novos caminhos para dialogar com o presente.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino




















