Kanye West se envolve em nova polêmica e perde patrocinadores

Por - 07/04/2026 - 08:20

Kanye WestKanye West teve postura preconceituosa e antissemita - Foto; Liam Goodner/Shutterstock

O anúncio de Kanye West como uma das principais atrações do Wireless Festival, marcado para acontecer entre 10 e 12 de julho em Londres, provocou forte reação negativa. Desde a confirmação, fãs e figuras públicas passaram a questionar a escolha do artista, principalmente por conta de declarações antigas que voltaram à tona.

Atualmente conhecido como Ye, o rapper acumula polêmicas recentes, incluindo falas consideradas antissemitas e referências ao nazismo. Além disso, episódios anteriores levaram à suspensão de suas contas em plataformas digitais, como o X. Entre os pontos mais criticados, está o lançamento de uma música intitulada “Heil Hitler”, que intensificou a rejeição de parte do público.

Repercussão derruba parcerias históricas

A pressão não demorou a impactar o evento. Em poucos dias, marcas importantes decidiram se afastar. A Pepsi anunciou o fim do patrocínio após mais de uma década de parceria com o festival. Até então, o evento levava o nome comercial “Pepsi MAX Presents Wireless”, acordo que vigorava desde 2015.

Na sequência, a Diageo, responsável por marcas como Johnnie Walker e Captain Morgan, também encerrou sua participação. Logo depois, o PayPal informou que sua marca não aparecerá em futuras ações promocionais do festival. Assim, o impacto financeiro e institucional ganhou proporções relevantes.

Enquanto isso, o próprio artista tentou amenizar a repercussão. No início do ano, publicou um pedido de desculpas em um anúncio no Wall Street Journal, direcionado “a quem ele magoou” por declarações anteriores.

Entrada no Reino Unido entra em debate

A controvérsia avançou para o campo político. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, criticou publicamente a contratação do rapper. “É profundamente preocupante que Kanye West tenha sido contratado para se apresentar no Wireless Festival, apesar de suas declarações antissemitas anteriores e de sua homenagem ao nazismo”, disse ao jornal The Sun.

Além disso, integrantes do Partido Conservador pressionaram o governo. O grupo enviou um pedido formal à ministra do Interior, Shabana Mahmood, solicitando a proibição da entrada do artista no país. Segundo informações divulgadas pela Reuters, autoridades analisam o caso, embora decisões desse tipo não costumem ser comentadas publicamente.

Vale lembrar que o Ministério do Interior britânico já adotou medidas semelhantes em outras situações. Em janeiro, por exemplo, revogou a autorização de entrada da ativista Eva Vlaardingerbroek por disseminação de informações falsas.

Organização mantém decisão e pede reflexão

Apesar da crise, a organização do festival sustenta a escolha. Melvin Benn, diretor da Festival Republic, afirmou que o artista não usará o palco para manifestações controversas. Segundo ele, a música de Ye continua disponível e amplamente consumida pelo público.

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“O perdão e a possibilidade de dar uma segunda chance às pessoas estão se tornando virtudes perdidas neste mundo cada vez mais dividido, e eu peço às pessoas que reflitam sobre seus comentários imediatos de repulsa diante da possibilidade dele se apresentar. Que ofereçam a ele algum perdão e esperança, como eu decidi fazer”, acrescentou Benn.

Dessa forma, o Wireless Festival se aproxima de sua realização sob forte tensão, com críticas, perdas comerciais e incertezas políticas cercando uma das atrações mais aguardadas — e controversas — da edição.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino