Juliana Paes admite preconceito e defende vacina contra HPV

Por - 26/02/2026 - 14:36

Juliana PaesJuliana Paes é a embaixadora do Março Lilás - Foto: Léo Franco/ AgNews

A escolha de Juliana Paes como embaixadora do Março Lilás 2026 colocou um tema sensível no centro do debate público: a vacinação contra o HPV em crianças e adolescentes. Convidada pela biofarmacêutica MSD, a atriz participou do lançamento da campanha “Por um Futuro Sem Câncer de Colo do Útero”, em São Paulo, e aproveitou o palco para falar sem rodeios sobre prevenção.

Marcela McGowan participa do Março Lilás e fala sobre o BBB 26

O evento aconteceu na Casa Lilás, espaço instalado na Casa Loane, no Alto de Pinheiros, e reuniu imprensa, influenciadores e profissionais da saúde. Além disso, marcou oficialmente a abertura do mês dedicado à conscientização sobre o câncer de colo do útero, doença associada ao HPV e que ainda registra índices preocupantes no Brasil.

Vacina nos filhos e mudança de visão

Durante a conversa com jornalistas, Juliana revelou que os filhos Pedro, de 15 anos, e Antônio, de 12, já receberam a vacina contra o HPV. O vírus responde por quase 100% dos casos de câncer de colo do útero e também se relaciona a tumores de ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe. Por isso, segundo ela, o debate precisa incluir meninos e homens.

“Os homens são parte da solução desse problema, porque eles também são parte da cadeia de transmissão”, alertou a atriz.

Ela admitiu que enfrentou resistência interna antes de autorizar a imunização. “Quando o Antônio estava com 11 anos, eu levei ao pediatra e ele falou: ‘tá na hora de vacinar os meninos pra HPV’. Eu falei: ‘o quê?! Que absurdo, os meninos são muito novos, são crianças ainda’. Óbvio que o preconceito da vacinação estava em mim. Mas essa é a idade correta. Quanto antes você começa a vacinar esses jovens que estão prestes a entrar em atividade sexual, você interrompe esse ciclo de transmissão da doença”, explicou.

De acordo com o Ministério da Saúde, crianças e adolescentes apresentam melhor resposta imunológica à vacina antes do início da vida sexual. Entre 9 e 19 anos, o esquema prevê duas doses com intervalo de seis meses. A partir dos 20, o protocolo exige três aplicações. “[As vacinas] são pra vida toda. Então, por que não trazer isso pra mais cedo?”, questionou Juliana.

Juliana Paes
Juliana Paes – Foto: Léo Franco/ AgNews

Casa Lilás aposta em informação e influência

A campanha estruturou uma estratégia que une experiência imersiva, conteúdo educativo e força digital. A influenciadora Mari Krüger lidera um grupo diverso de criadoras de conteúdo. Entre os nomes confirmados estão Aline Campos, Nath Finanças, Thaila Ayala, Amanda Meirelles, Marcela McGowan e Camila Coutinho.

O grupo vai abordar vacinação, exames de rotina e diálogo familiar sobre saúde feminina ao longo do ano. Dessa forma, a iniciativa amplia o alcance das informações e busca atingir diferentes perfis de público. Além disso, aposta na linguagem acessível para transformar um assunto técnico em conversa cotidiana.

Segundo Fernando Cerino, diretor de vacinas da MSD Brasil, o cenário ainda exige mobilização. “Hoje, o câncer de colo do útero mata cerca de 20 mulheres por dia no Brasil, e esse cenário pode ser mudado por meio da vacinação contra o HPV, dos exames de rotina e do tratamento de lesões pré-cancerígenas”, afirmou.

Rotina real e cobrança necessária

Juliana também destacou que pretende usar sua visibilidade para dialogar de forma honesta com outras mulheres. Embora acumule compromissos na televisão e no Carnaval — onde brilhou como rainha de bateria da Unidos do Viradouro — ela reconhece desafios pessoais.

“Eu sou uma mulher que, apesar de estar na televisão e ter visibilidade no Carnaval, tem atribulações na vida como qualquer mulher. Que também fico sem tempo para me cuidar, que também acabo deixando as coisas pra depois”, admite.

Ao aceitar o convite da campanha, ela refletiu sobre o impacto da mensagem.

Receba as notícias de OFuxico no seu celular!

“Quando a gente recebe um convite assim, sempre me pergunto sobre o porquê. E eu tenho uma relação de muita proximidade e honestidade com meus fãs, quem me acompanha. Estou muito feliz de contribuir para a campanha e de passar essa mensagem de cuidado e prevenção. É inacreditável que um câncer que tem tratamento e vacina continue matando e tirando a vida de tantas mulheres”, disse.

Além do engajamento artístico, a atriz assume um papel ativo em saúde pública. Portanto, ao falar de vacinação, exames e autocuidado, ela transforma a própria experiência em ponte para ampliar o debate nacional sobre prevenção e responsabilidade coletiva.

Tags: