Mel Lisboa relembra relação abusiva e diagnóstico impactante

Por - 04/03/2026 - 19:07

Mel LisboaMel Lisboa - Foto: Reprodução/Youtube

Aos 44 anos, Mel Lisboa revisitou um dos capítulos mais delicados da própria história. Em entrevista ao podcast Você não sabe o que eu sofri, comandado por Tati Bernardi, a atriz relatou como um relacionamento abusivo na adolescência deixou marcas profundas, tanto emocionais quanto físicas. O envolvimento, que começou quando ela tinha apenas 15 anos, trouxe consequências que só compreendeu por completo muito tempo depois.

Logo no início da conversa, Mel citou um conselho que ouviu da mãe e que ganhou outro peso com o passar dos anos. “Minha mãe sempre falava uma coisa para mim: ‘Minha filha, você pode fazer tudo na vida, a única coisa que falo para você, apenas preserve a sua liberdade, a sua vida’. Uma coisa muito conectada à outra. Depois, fui entender os riscos do feminicídio por conta da violência, da proximidade de armas e dele ter servido…”, declarou. A fala revela, portanto, como o alerta materno dialogava diretamente com o cenário que ela vivia sem perceber a gravidade total.

Descoberta inesperada no consultório

Além do controle e das traições, a relação trouxe um diagnóstico que mudou o rumo da história. Durante uma consulta ginecológica de rotina, Mel recebeu a notícia de que estava com HPV em estágio avançado. Naquele momento, de acordo com ela, a informação soou confusa e assustadora.

“Um dia, fui numa consulta ginecológica e descobri que estava com HPV muito avançado. Sabe quando você não entende nada? E aí, a médica me perguntou e eu respondi que tinha um namorado. E ela falou: ‘Acho que você tem que conversar com ele. Você sai e transa com outras pessoas?’. E eu disse não. Ela [respondeu]: ‘Então você vai ter que conversar com ele, porque foi ele que te passou. E ele vai ter que se tratar também”, continuou.

A partir dali, a jovem precisou lidar não apenas com a infecção sexualmente transmissível, mas também com a reação do então namorado, mais velho, que adotou postura defensiva diante da necessidade de tratamento conjunto.

O fim do relacionamento e a ficha que caiu depois

No dia seguinte à conversa sobre o HPV, o rapaz foi a um show de Mel sem avisar, atitude que repetia com frequência. Ao descobrir, ela decidiu encerrar o namoro. Na época, acreditou que aquele episódio havia sido o estopim. No entanto, anos depois, interpretou a situação sob outra perspectiva.

“Um tempo depois, caiu a minha ficha. Obviamente não foi o show. Foi ter visto a minha vida em risco. Poderia ter sido muito pior. Felizmente, foi uma IST que consegui curar muito fácil. Mas, assim, ela pode causar câncer. E, assim, eu tinha 15 anos. E muito tempo depois eu entendi”, contou.

Assim, o diagnóstico funcionou como alerta definitivo. A percepção do risco à própria saúde trouxe clareza sobre a urgência de romper o ciclo de violência e manipulação.

Desfecho trágico e lembrança marcante

Cerca de um ano após o término, Mel recebeu uma notícia inesperada. O ex-namorado morreu de forma violenta. Segundo ela, ele se envolvia em brigas frequentes e mantinha contato com ambientes perigosos.

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“Ele era um cara violento, que se metia em brigas. Até hoje não sei o que aconteceu, também não quis ir atrás disso. Ele se mentia em brigas de gangues no Rio. Sabe, assim, de moleques violentos em festas E tinha também o lance de drogas que ele consumia”.

A atriz relembrou ainda o momento em que soube da morte. “Não sei exatamente qual foi o rolê, sei que um dia, já tinha mais ou menos um ano que tínhamos terminado, estava tudo certo na minha vida. Acordei com a minha mãe colocando o telefone na minha orelha, no meio da madrugada. E, quando atendi, era uma pessoa falando: ‘Mel, ele morreu. Levou três tiros'”, finalizou.

Ao revisitar o passado, Mel Lisboa amplia o debate sobre violência no namoro, saúde feminina e autonomia. Ao mesmo tempo, transforma uma experiência dolorosa em relato que pode alertar outras mulheres sobre sinais de abuso e riscos silenciosos que muitas vezes passam despercebidos na juventude.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino