Netflix desiste de comprar a Warner após proposta bilionária rival
Por Flavia Cirino - 27/02/2026 - 10:17
Netflix desiste da compra da Warner - foto: Reprodução/ XisA disputa bilionária pelo controle da Warner Bros. Discovery ganhou um novo capítulo — e terminou com recuo. A Netflix anunciou que abandonou as negociações para adquirir ativos do conglomerado poucas horas depois de o conselho da empresa considerar superior a proposta apresentada pela Paramount Skydance. A decisão encerra uma movimentação que agitou o mercado desde o ano passado.
Hollywood virou de cabeça pra baixo com a negociação
“O acordo não é mais atrativo”, informou a gigante do streaming em comunicado oficial. Além disso, os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters afirmaram que a exigência da WBD para que a empresa elevasse a proposta em até quatro dias não se alinha à filosofia da companhia. Diante desse cenário, optaram por retirar a oferta.
“A transação que negociamos teria criado valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória. No entanto, sempre fomos disciplinados e, pelo preço necessário para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente. Portanto, estamos recusando igualar a oferta da Paramount Skydance.”
Pressão do conselho e proposta mais alta mudam o cenário
A reviravolta ocorreu após a Paramount apresentar US$ 31 por ação, além de incluir uma taxa adicional de 25 centavos por papel a partir de setembro. O mercado interpretou o movimento como sinal de confiança e agressividade estratégica. Por isso, o conselho da Warner Bros. Discovery avaliou a nova oferta como superior.
Enquanto isso, a Netflix já enfrentava resistência em propostas anteriores. Embora analistas apontassem o negócio como praticamente fechado no fim do ano passado, a concorrência alterou o equilíbrio. Ainda assim, a empresa de streaming não demonstrou interesse em transformar a negociação em leilão.
“Acreditamos que teríamos sido excelentes gestores das marcas icônicas da Warner Bros. e que nosso acordo teria fortalecido a indústria do entretenimento, preservando e criando mais empregos na área de produção nos EUA. Mas essa transação sempre foi um ‘bom diferencial’ pelo preço certo, não uma ‘necessidade’ a qualquer custo”, afirmaram Sarandos e Peters.
Estratégia própria e recado ao mercado
Além de justificar a saída, os executivos reforçaram a saúde financeira da companhia. Segundo eles, o crescimento ocorre de forma orgânica, sustentado por catálogo robusto e expansão global.
“Os negócios da Netflix são saudáveis, fortes e crescem organicamente, impulsionados por nosso catálogo e por um serviço de streaming de primeira linha. Neste ano, investiremos aproximadamente US$ 20 bilhões (R$ 102,7 bilhões) em filmes e séries de qualidade e expandiremos nossa oferta de entretenimento”, destacaram.
“Em consonância com nossa política de alocação de capital, também retomaremos nosso programa de recompra de ações. Continuaremos fazendo o que fazemos há mais de 20 anos como empresa de capital aberto: encantar nossos assinantes, expandir nossos negócios de forma lucrativa e gerar valor para os acionistas a longo prazo.”
Diferenças estratégicas e impacto político
A comparação direta entre as propostas exige cautela. A Netflix demonstrava interesse apenas nos estúdios e na divisão de streaming da Warner, que inclui marcas como HBO e DC Studios. Por outro lado, a Paramount busca adquirir o conglomerado completo, incluindo canais de TV paga que passam por processo de separação.
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Além disso, qualquer transação dessa magnitude depende de aval regulatório internacional. Não por acaso, David Ellison marcou presença no discurso do Estado da União realizado por Donald Trump na terça-feira (24). Já Ted Sarandos cumpriu agenda em Washington nesta quinta-feira, com reuniões na Casa Branca, embora o presidente não constasse em sua lista oficial de encontros.
Mesmo após a retirada da Netflix, o desfecho definitivo ainda depende de trâmites regulatórios e decisões estratégicas que podem redefinir o mapa global do entretenimento.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino






















