Preta Gil: Padre que ofendeu a memória da artista faz acordo e evita perder milhões
Por Flavia Cirino - 23/04/2026 - 07:50
Preta Gil - Foto: DivulgaçãoO padre paraibano Danilo César, de 32 anos, chegou a um acordo com a família de Preta Gil após ser processado por declarações consideradas ofensivas à memória da cantora e às religiões de matriz africana. A conciliação prevê uma retratação pública e a doação de oito cestas básicas, além de afastar, ao menos neste momento, o risco de uma indenização estimada em R$ 370 mil.
Morte de Preta Gil comoveu o país
A controvérsia começou depois de uma homilia transmitida ao vivo pelo canal da Paróquia de São José, em Areial, no Agreste da Paraíba. Durante a pregação, o sacerdote ironizou uma oração feita por Gilberto Gil aos orixás em homenagem à filha, dias após sua morte. Em tom de deboche, afirmou: “Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê o poder desses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?” A declaração gerou forte reação e rapidamente tomou as redes sociais.
Retratação pública faz parte do acordo
Depois da repercussão negativa, o vídeo saiu do ar. Ainda assim, o caso avançou na esfera cível e acabou resultando em um acordo homologado entre as partes. Como parte do entendimento, Danilo César deverá fazer um pedido público de desculpas, mencionando nominalmente Gilberto Gil e os familiares de Preta durante uma missa transmitida pelo canal oficial da paróquia — o mesmo meio em que as falas originais foram veiculadas.
Relembre a intensa vida amorosa de Preta Gil
Além disso, o sacerdote precisará reconhecer formalmente o caráter ofensivo das declarações e admitir que as falas “causaram dor aos familiares”, como estabelece o acordo. A doação das oito cestas básicas, por sua vez, será destinada a uma instituição indicada pela família Gil. O processo por danos morais segue em tramitação na 41ª Vara da Comarca do Rio de Janeiro.
Relembre o caso
A polêmica ganhou dimensão ainda maior pelo contexto delicado. Preta Gil morreu em 20 de julho do ano passado, aos 50 anos, em Nova York, onde realizava tratamento experimental contra um câncer. Diagnosticada em 2023 com adenocarcinoma, a artista enfrentou cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
Embora tenha anunciado remissão em determinado momento, revelou depois a volta da doença em outras regiões do corpo.
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Por isso, a fala do padre provocou indignação não apenas pela referência à cantora, mas também pelo ataque a símbolos religiosos do candomblé e da umbanda. Agora, com o acordo firmado, o caso ganha novo capítulo, enquanto a retratação pública se torna peça central para reparar o desgaste causado.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino













