Xande de Pilares e Ferrugem respondem ação por ofensa ao Islã

Por - 02/04/2026 - 16:58

xande de pilares e ferrugem cantando juntosFoto: Reprodução/Instagram @xandedepilares

A disputa envolvendo Xande de Pilares e Ferrugem ganhou novos capítulos. Os artistas apresentaram suas defesas à Justiça após a música “Me Abraça” gerar reação da comunidade islâmica. A Associação Nacional de Juristas Islâmicos entrou com uma ação civil pública contra os cantores, além de empresas e outros envolvidos, como Gold Produções e Eventos, Peu Cavalcante, Claudemir Júnior e Rodrigo Leite.

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No processo, a entidade apontou que a canção traz um trecho com conotação preconceituosa e estigmatizante. Segundo o documento, a letra sugere associação entre seguidores do Islã e práticas violentas. O trecho citado diz: “Pra que bombardeio, pra que engatilhar. Aqui não é Irã, ou Islã, Bagdá. Foi só um mal tempo que ainda dá tempo. Desarma essa bomba em nome de Alá”.

A coluna de Fábia Oliveira revelou que, diante disso, a associação pediu liminar para obrigar a alteração da estrofe e solicitou indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 30 mil. Em 4 de fevereiro, Xande de Pilares e Ferrugem protocolaram suas contestações.

Inicialmente, os cantores informaram que já retiraram do ar as interpretações da música, o que, segundo eles, afasta discussão sobre a continuidade da distribuição. Além disso, os artistas afirmaram que atuam apenas como intérpretes da obra.

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Por isso, destacaram que não possuem controle sobre a letra nem podem reescrevê-la, como solicita a ANAJI. Na defesa, os sambistas sustentaram que a música aborda a reconciliação de um casal após uma briga, com uma proposta de pacificação. Nesse sentido, afirmaram que figuras de linguagem mal utilizadas não configuram discurso de ódio.

Xande de Pilares e Ferrugem debatem sobre liberdade artística

Ao mesmo tempo, Xande e Ferrugem mencionaram suas trajetórias no samba e no pagode, sem registros de episódios ligados a intolerância religiosa. Em outro trecho da manifestação, os cantores defenderam que a criação artística envolve subjetividade.

Assim, argumentaram que o Judiciário não deve editar ou revisar obras, sob risco de censura. Eles também negaram a existência de dano moral coletivo, uma vez que, de acordo com a defesa, não houve prática ilícita.

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Por fim, os artistas pediram que a Justiça julgue improcedentes os pedidos da ANAJI. Ainda assim, indicaram interesse na realização de uma audiência de conciliação. A ação teve início em 2023 e enfrenta entraves para avançar, principalmente por conta do número de réus envolvidos no processo.

Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.