Abertura de ‘A Nobreza do Amor’ aposta em hit de Jorge Benjor
Por Flavia Cirino - 16/03/2026 - 10:55
Jorge Ben jor canta na abertura de "A Nobreza do Amor" - Foto: Globo/DivulgaçãoA abertura da novela “A Nobreza do Amor” apresenta ao público um universo visual marcado por ancestralidade, identidade e conexão cultural entre Brasil e África. Para conduzir essa proposta, a produção escolheu um clássico da música brasileira: “Zumbi”, de Jorge Ben Jor, faixa lançada em 1974 no álbum “A Tábua de Esmeralda”.
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Além da trilha marcante, a sequência aposta em animação e em um repertório visual inspirado em referências negras, o que reforça o diálogo cultural que permeia a história da novela. Dessa forma, a abertura funciona como uma síntese da trama e, ao mesmo tempo, como uma apresentação simbólica do mundo narrativo que o público encontrará ao longo dos capítulos.
Produzido com atenção especial à estética e ao significado de cada elemento, o projeto buscou traduzir visualmente temas como ancestralidade, identidade e travessia cultural. Nesse contexto, o trabalho reuniu profissionais de diferentes áreas criativas para construir uma linguagem visual rica em detalhes e significados.
“A pluralidade da novela surge nessa abertura a partir do nosso próprio time de criação, que é muito diverso. Isso trouxe uma camada autoral e cuidados à criação da abertura”, ressalta Chris Calvet, gerente de criação do projeto.
Animação destaca símbolos e referências africanas
A abertura foi desenvolvida inteiramente em animação, estratégia que permitiu à equipe explorar texturas, formas e símbolos ligados às culturas africanas e afro-brasileiras. Com isso, a narrativa visual ganhou liberdade para circular entre elementos simbólicos, históricos e artísticos.
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O processo criativo contou com liderança de Will Nunes e supervisão de Chris Calvet. Antes de mais nada, a equipe adotou como ponto de partida a ideia de tempo cíclico, conceito presente em muitas culturas africanas. Esse entendimento influenciou principalmente a estrutura da sequência visual.
“Para muitos povos de África, o tempo é representado como um movimento circular, sem um fim definitivo”, destaca Will.
Essa percepção aparece no próprio movimento da abertura, que começa e termina no mesmo ponto narrativo. Assim, o reino fictício de Batanga surge logo no início da sequência e retorna no encerramento do vídeo. O recurso simboliza não apenas a continuidade do tempo, mas também o destino da protagonista e a presença constante da ancestralidade na trama.
Estética mistura arte africana e cultura brasileira
A construção visual da abertura nasceu da combinação de diferentes referências culturais. Entre elas, aparecem por exemplo tecidos africanos tradicionais, elementos da arte popular brasileira e padrões geométricos inspirados em símbolos históricos do continente africano.
Um dos destaques do projeto envolve o uso do Kente, tecido associado à realeza Ashanti, grupo cultural presente em Gana. Além disso, a produção incorporou adinkras, símbolos africanos que carregam significados filosóficos e espirituais.
“Além disso, foram incorporados adinkras e referências à força moral de Xangô. Esses símbolos reforçam, simbolicamente, poder, linhagem e memória”, afirma Will.
Essa mistura estética ajuda a reforçar a ligação cultural entre os dois lados do Atlântico. Ao mesmo tempo, amplia o alcance simbólico da narrativa visual, que busca valorizar heranças culturais compartilhadas.
Narrativa visual acompanha história dos protagonistas
A abertura também acompanha, de forma simbólica, os temas centrais da novela. Entre eles, destacam-se ancestralidade, encontros entre culturas e a formação de alianças entre personagens que pertencem a universos distintos.
A designer Luiza Russo, integrante da equipe criativa, explica que a sequência parte da imagem do reino de Batanga, símbolo de poder e tradição. Em seguida, a narrativa visual percorre diferentes elementos gráficos até chegar aos personagens centrais da história.
“A câmera atravessa padronagens até alcançar mandalas e adinkras, através das quais chegamos à realidade, com um olhar observador de uma representação de Jendal (Lázaro Ramos) sobre Tonho (Ronald Sotto). Em um giro, encontramos Alika (Duda Santos) em um momento de reconexão. O encontro do casal simboliza a união dos dois mundos. O retorno ao reino de Batanga fecha o ciclo narrativo”, afirma Luiza.
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Além dessas referências visuais, a equipe ainda inseriu pequenos detalhes ao longo das cenas. Segundo os criadores, alguns desses elementos funcionam como pistas discretas sobre a história.
“Temos também alguns detalhes sutis pelos quais o público vai compreender e amplificar a mensagem”, complementa Chris.
Produzida nos Estúdios Globo, “A Nobreza do Amor” é uma novela criada e escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior. O projeto reúne ainda colaboração de Dora Castellar, Alessandro Marson, Duba Elia e Dione Carlos, pesquisa de Leandro Esteves e assistência de roteiro de Dimas Novais.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino












