‘Algo histórico’: Nova novela das 18h aposta em África na Globo
Por Raphael Araujo - 05/03/2026 - 10:41
Lumumba/Cayman (Welket Bungué), Niara (Erika Januza) e Alika (Duda Santos) em ‘A Nobreza do Amor’ – Foto: Globo/ Estevam Avellar
A manhã desta quinta-feira, 5 de março, marcou a segunda parte da coletiva de imprensa de “A Nobreza do Amor”, nova novela das 18h da Globo. A produção estreia no dia 16 de março e assume a faixa atualmente ocupada por “Êta Mundo Melhor”. Durante o encontro com jornalistas, do qual OFuxico participou, elenco e direção falaram sobre a proposta da trama, que aposta em uma abordagem histórica e estética pouco explorada na televisão brasileira.
O que esperar de ‘A Nobreza do Amor’
Além disso, o projeto surge com a missão de ampliar o olhar do público sobre a relação entre Brasil e África. Nesse sentido, a produção aposta em narrativa que dialoga com cultura, memória e identidade. Ainda assim, a novela mantém o formato clássico das histórias da faixa das 18h, com romance, conflitos familiares e personagens marcantes.
Entre os destaques da coletiva, a diretora de Renovação, Inovação e Diversidade da Globo, Kellen Julio, apresentou o contexto por trás da criação da trama e reforçou a importância do projeto dentro da emissora.

Novela aposta em novo olhar sobre África
Logo no início da conversa, Kellen Julio falou sobre a dimensão coletiva do trabalho que levou a novela ao ar. Ela destaca que o projeto nasceu de um esforço amplo na emissora para ampliar representações na dramaturgia.
“Um trabalho desses é feito por muitas mãos, todos têm um pedaço de responsabilidade. Sou diretira de Renovação, Inovação e Diversidade da Globo, entrei em 2018 diante de uma inquietude da própria empresa em olhar para essa questão.”
‘A Nobreza do Amor’ faz Duda Santos questionar a existência
Em seguida, a executiva explicou que a novela mergulha em uma perspectiva histórica diferente da abordagem tradicional que costuma aparecer na televisão.
“A novela é muito profunda em explorar a relação entre Brasil e a África, um continente que pudemos olhar cada referência positiva e estética. Resgatamos uma relação. A África no nosso imaginário brasileiro, se colocava de uma forma tão reducionista, focando apenas na escravidão, e a gente quebra isso. E pensando nas 18h, um horário tão precioso, na qual crianças, adolescentes e pais chegando em casa, a família se reencontrando, vivemos uma revolução no assunto.”
A diretora também comentou que a área que coordena acompanha de perto os roteiros da emissora. Dessa forma, a equipe busca ampliar narrativas e propor novos imaginários dentro da televisão brasileira.
“Minha área trabalha em dois nichos específicos: ficção e não-ficção. Esse segundo grupo lê os roteiros das novelas. E queremos criar e reimaginar os imaginários na televisão brasileira. Pensamos na proposta de futuro unânime e justa que o Brasil possa ser cada vez mais. Muito honrada de estar aqui ao lado desses talentos, e me emociono de estar diante de algo histórico para a dramaturgia brasileira”
Elenco destaca impacto da história
Além da proposta narrativa, o elenco também comentou o impacto da produção durante as gravações. Lázaro Ramos, que interpreta um antagonista na trama, contou que o papel trouxe uma experiência diferente em sua carreira.
“Nunca foi o sonho da minha vida [viver vilões], eu queria fazer heróis diante das nossas condições sociais. Está sendo uma descoberta falar coisas absurdas e maldades. É incrivel também ir vendo esse imaginário sendo construído a cada set, a cada figurino, e setou muito honrado”
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Já Erika Januza relatou que demonstrou interesse em participar da novela assim que soube da proposta. Segundo ela, o projeto dialoga com uma narrativa histórica que raramente ganha espaço nas telas.
“Quando eu soube da existência dessa novela, eu entrei em contato porque queria ser parte disso. Mesmo se não entrasse, eu seria o público, pois era uma trama que soava distante da nossa realidade. […] Sempre que eu chegava para gravar e via a representação de África como deveria ser feita desde sempre, fiquei muito feliz. O passado molda o futuro, e temos que mostrar que existia o outro passado, que fomos outras pessoas além do que foi apresentado para a gente. Fazer parte dessa construção já é linda e histórica por romper a barreira dessa casinha que nos colocavam. Cada dia novo e gravar é cheio de emoções.”
Com estreia marcada para 16 de março, “A Nobreza do Amor” chega à programação da Globo como uma das apostas da emissora para renovar o horário das 18h, além de ampliar a discussão sobre identidade, cultura e história dentro da dramaturgia brasileira.
Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.





















