Ainda dá tempo? Como salvar ‘Coração Acelerado’ na Globo
Por Flavia Cirino - 30/03/2026 - 08:06
João Raul e Agrado - Foto: GloboDesde a estreia em janeiro, “Coração Acelerado” enfrenta um cenário delicado na faixa das sete da TV Globo. Embora tenha apostado no universo sertanejo para conquistar uma audiência fiel, a novela ainda não conseguiu transformar essa proposta em engajamento consistente. Ainda assim, o momento pede menos sentença e mais leitura estratégica do que pode, de fato, funcionar.
Os números revelam um sinal de alerta, sobretudo no principal mercado do país. No entanto, reduzir o desempenho apenas à rejeição do gênero musical simplifica uma questão mais complexa. O problema central parece residir na condução da narrativa, que não construiu, até aqui, um vínculo forte com o público.
Além disso, o desenvolvimento dos personagens principais não sustentou a expectativa inicial. A jornada de Agrado, vivida por Isadora Cruz, carece de conflito emocional mais denso, enquanto o romance com João Raul, interpretado por Filipe Bragança, avançou sem criar identificação sólida. Assim, a trama perdeu fôlego logo nos primeiros capítulos.
Ajustes na narrativa podem reacender interesse
Por outro lado, a novela ainda dispõe de tempo para reagir. Com previsão de exibição até agosto, há espaço suficiente para recalibrar o rumo. A decisão de reduzir os números musicais, por exemplo, pode favorecer o ritmo dramático e evitar a sensação de repetição que parte da audiência aponta.
Ana Castela tira a paz de Naiane
Ao mesmo tempo, investir em reviravoltas mais incisivas tende a reposicionar a história. Conflitos mais claros, decisões difíceis e consequências reais para os personagens podem fortalecer o enredo. Nesse sentido, colocar Agrado diante de dilemas mais intensos pode aproximá-la do público, que costuma se conectar com trajetórias de superação mais evidentes.
Enquanto isso, personagens como Naiane, vivida por Isabelle Drummond, surgem como oportunidades ainda pouco exploradas. Embora tenha carisma, a vilã precisa de motivações mais bem desenhadas para deixar de ser apenas funcional e passar a conduzir tensão dramática de verdade.
Menos fórmula, mais emoção
Outro ponto crucial envolve o equilíbrio entre música e narrativa. Embora o sertanejo funcione como identidade da trama, o excesso compromete a progressão da história. Portanto, a trilha deve servir ao enredo — e não o contrário.
Agrado e Leandro se reencontram
Além disso, a recepção nas redes sociais indica um desgaste com cenas que não convencem. Sequências recentes, como a tentativa de convencer João Raul com uma performance musical, sofreram críticas justamente por parecerem artificiais. Esse tipo de reação oferece um termômetro valioso para ajustes rápidos.
Ainda que enfrente comparações com produções anteriores, Coração Acelerado não precisa repetir fórmulas para se recuperar. Pelo contrário, a saída pode estar em assumir riscos narrativos e surpreender. Afinal, novelas das sete historicamente se destacam quando equilibram leveza com emoção genuína.
Há tempo – mas não sobra margem
Por fim, o desempenho abaixo do esperado em praças estratégicas, inclusive fora do eixo tradicional, reforça a urgência de mudanças. No entanto, esse cenário também evidencia que a novela ainda está no jogo — e pode reagir.
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Se a equipe criativa apostar em personagens mais humanos, conflitos mais diretos e ritmo mais ágil, a história tem potencial para virar o placar. Caso contrário, a produção corre o risco de se consolidar como um experimento que não encontrou sua própria voz.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino























