Dona Beja destaca erotismo e virada de Grazi Massafera
Por Flavia Cirino - 28/01/2026 - 11:04

Vem aí! No ar como a Arminda em “Três Graças”, Grazi Masafera estará no ar em “Os primeiros capítulos de “Dona Beja”, na HBO Max, como nunca vimos antes. Quem há assistiu aos primeiros capítulos, garante que a lenda que atravessou décadas desde a exibição original na Manchete, nos anos 1980, não será suavizada.
Climão e reclamações marcaram gravações de ‘Dona Beja’
Ao contrário, o remake aposta alto em um novelão adulto, direto, intenso e sem pudor, que combina erotismo frontal, vilania escancarada, tensões sociais e uma protagonista forjada a partir da dor. Assim, a plataforma se distancia do padrão atual da TV aberta e assume riscos narrativos que conversam melhor com o streaming.
Gravada ao longo de 2024, a produção chega ao catálogo em 2 de fevereiro carregando uma energia crua. Desde já, a trama rejeita filtros morais e constrói cenas que transitam do romantismo juvenil à dominação sexual explícita. Grazi Massafera percorre esse arco com segurança, saindo da jovem apaixonada, que preserva a virgindade por convicção, até alcançar uma mulher que controla desejos, relações e destinos.
O que esperar do remake
Apesar das notícias sobre conflitos internos, trocas de comando e insatisfações nos bastidores, os capítulos iniciais não exibem sinais evidentes desse caos. Pelo contrário: a narrativa flui, ainda que apresente oscilações pontuais de ritmo. Mesmo assim, esses ajustes não comprometem a compreensão da história nem diluem o impacto das cenas centrais. Portanto, o conjunto se mantém coeso e funcional.
Treta nos bastidores de ‘Dona Beja’? Saiba tudo!
Ambientada no Brasil imperial, em Araxá, a novela apresenta Beja em sua fase mais ingênua. Jovem, sonhadora e romântica, ela acredita em um futuro ao lado do noivo Antônio, interpretado por David Junior. No entanto, desde cedo, o roteiro insere obstáculos que extrapolam o melodrama clássico.
A família dele rejeita a união, sobretudo por Beja ser pobre, criada pelo avô e marcada pelo suicídio da mãe. Além disso, a escolha de um protagonista negro adiciona uma camada relevante à narrativa, ao evidenciar o racismo estrutural em uma sociedade oficialmente pós-escravidão, porém ainda excludente.
Esse equilíbrio entre fidelidade histórica e leitura contemporânea fortalece o texto. Ao mesmo tempo, amplia o conflito de classes e raça, sem transformar o tema em discurso didático. Assim, a tensão surge nos gestos, nas recusas e nas humilhações silenciosas, o que dá densidade ao drama.
Desejo, poder e sexualidade como arma narrativa
A ruptura definitiva ocorre com a entrada do ouvidor do imperador, figura que encarna o abuso de poder. Movido por desejo obsessivo, ele tenta violentar Beja e, em seguida, ordena seu sequestro. Como consequência direta, o avô da jovem morre, evento que implode qualquer resquício de inocência. A partir daí, a personagem muda de eixo e passa a agir com frieza estratégica.
Em paralelo, uma nova traição acelera essa transformação. Maria Felizardo, irmã de Antônio, engana Beja ao afirmar que o noivo se casou com Angélica, sua irmã de criação. Diante disso, a protagonista toma uma decisão extrema: perde a virgindade com um padre, em uma sequência incômoda, seca e perturbadora, que define o tom adulto da novela logo no início.
Depois desse ponto, Beja assume o controle. Ela se torna amante do ouvidor, porém não aceita mais submissão. Pelo contrário, usa o próprio corpo como ferramenta de poder, acumula riqueza, coleciona joias e atrai homens influentes. Cada relação surge como uma negociação, não como entrega emocional. Dessa forma, a sexualidade deixa de ser punição e passa a funcionar como motor narrativo.
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Grazi Massafera sustenta essa virada com entrega física e emocional. Desde o primeiro capítulo, a atriz aparece em cenas sensuais na cachoeira, com tecidos transparentes e enquadramentos que sugerem nudez total. Há ainda um flashback explícito, no qual Beja se masturba diante de Antônio, recurso que reforça o desejo reprimido e antecipa a explosão sexual da personagem.
Embora a atriz já tenha explorado esse território em “Verdades Secretas” (2015), aqui o salto se impõe. O olhar mais firme, a presença cênica e o domínio do subtexto revelam uma maturidade evidente.
Ao mesmo tempo, o erotismo permitido pelo streaming diferencia “Dona Beja” de qualquer novela recente da TV aberta. Ainda assim, a trama evita reduzir a protagonista a um objeto. Progressivamente, Beja dita regras, inverte jogos de poder e surpreende homens que acreditam controlá-la.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino























