Três Graças fisga o público e estreia mostra força das protagonistas

Por - 21/10/2025 - 07:36

Três Graças - Gerluce (Sophie Charlotte) e Joelly (Alana Cabral) Gerluce (Sophie Charlotte) e Joelly (Alana Cabral) - Foto: Globo

A estreia de “Três Graças”, na noite de segunda-feira, 20 de outubro, provou que o horário nobre da TV Globo pode voltar a brilhar com qualidade e consistência. De acordo com a recepção imediata, o público reagiu com entusiasmo.

A trama que marca a volta de Aguinaldo Silva em parceria acerta ao inserir temas sociais em uma narrativa popular — e ao mesmo tempo leve. Conforme a própria equipe alertou, “mostrar certas mazelas sociais” figura como ponto de partida da obra.

Saiba tudo sobre o capítulo de estreia de ‘Três Graças’

Nesse contexto, o trio central se destaca. Dira Paes como Lígia, matriarca que enfrenta doença e cria a filha sozinha; Sophie Charlotte como Gerluce, a segunda geração que busca mudar seu destino; e Alana Cabral como Joélly, a mais jovem que assume o protagonismo inicial ao lado das veteranas. Cada uma dessas atrizes imprime presença e personalidade, o que ajuda a sustentar o formato de “novelão” a que a trama se propõe — ainda que nem todos os trâmites dramáticos se mostrem igualmente bem‐resolvidos.

A atuação de Dira Paes transmite autoridade, fragilidade e verossimilhança até nas cenas mais dramáticas. Sophie Charlotte brilha especialmente em momentos de conflito moral, como já se apontou ao analisar a cena em que Gerluce chega com a filha grávida em um posto de saúde — “Agora me diz: você está vendendo algum homem com elas?” — frase que resume tensão social e familiar. Alana Cabral, por sua vez, assume com vigor o protagonismo jovem e equilibra leveza com seriedade, mostrando que a produção não mediu esforços para entregar um elenco bem calibrado.

Melhores momentos da estreia

  • A gravidez na adolescência como motor da narrativa — tema forte e atual, reforçado desde o começo. Conforme o autor, a história “traz a vida de três gerações de mães solos”.
  • A doença de Lígia, vivida por Dira Paes, que confere urgência ao enredo e permite explorar com densidade a fragilidade dos idosos.
  • A atuação de Arlete Salles como Josefa, figura que encarna o etarismo e o cuidado em família — uma camada rara em novelas de grande público.
  • O momento em que Gerluce confronta o motorista de aplicativo — “Favela sim! Lugar de gente honesta e trabalhadora” — cena que resume ambição social e direção segura.
  • A ambientação urbana e direção de Luiz Henrique Rios: a São Paulo das ruas, dos panos de fundo e das comunidades não aparece apenas como cenário, mas como personagem.

Conforme se verifica, o roteiro utiliza palavras e construções que priorizam transição e fluidez — o que favorece o engajamento imediato. Longe da pieguice, mas extremamente popular, o texto reforça a maestria de Aguinaldo Silva.

Nazaré Tedesco volta em ‘Três Graças’

Por outro lado, a estreia apresenta elementos que exigem ajuste. Algumas cenas dialogadas soaram pouco naturais — por exemplo, conversas expositivas em que personagens explicam relações já estabelecidas no enredo. Os autores usaram artifícios para acelerar o entendimento do público.

Por exemplo, a explicação de Lígia de como Gerluce passou a trabalhar na casa de Arminda. Um diálogo que, apesar de informativo, perdeu a naturalidade. Um recurso pode comprometer a imersão, se mantido.

Mesmo assim, o saldo é positivo — e relevante para o cenário das novelas das nove, que vinha em ritmo de retração. A produção evidenciou que não é necessário reinventar radicalmente o formato para entregar impacto: fazer um arroz com feijão bem feito pode bastar, como se sugeriu.

Por que o elenco eleva a trama

A escolha de Dira Paes, Sophie Charlotte e Alana Cabral alinha experiência, versatilidade e frescor. Dira retorna ao núcleo dramático com vigor. Sophie amplia sua carreira e assume protagonismo com segurança. Alana, a caçulinha, assume protagonismo sem parecer reduzida — e isso reforça a ideia de sucessão dramática, conforme a proposta da novela.

Receba as notícias de OFuxico no seu celular!       

Além disso, a química entre elas importa – gera vínculos que o público sente, e essa sensação favorece o engajamento. A narrativa mostra que o conflito entre gerações, e não apenas entre mocinha e vilã, pode formar a espinha da novela. Aliás, o antagonismo também se destacou com a vilã Grazi Massafera assumindo o papel com determinação, ainda que alguns críticos apontem ecos de novelas mexicanas.

A novela reafirma assim o valor do elenco bem escalado, da direção consciente e do texto que busca combinar popular e crítico — ou seja: entretenimento que também provoca. Para quem deseja um novelão que respire, que tenha ritmo, que entregue emoção e tramas humanas, “Três Graças” acerta o passo desde o início.

Em resumo, a estreia mostrou firmeza, talento e potencial para se tornar um marco entre as novelas das nove.

Tags: ,,

É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino