Ministério reage a ataque racista contra Ludmilla e cobra coerência
Por Flavia Cirino - 27/12/2025 - 17:34

O Ministério da Igualdade Racial, comandado por Anielle Franco, publicou uma nota de repúdio após o novo episódio de racismo envolvendo a cantora Ludmilla. A manifestação oficial expressa solidariedade à artista diante das ofensas feitas pelo apresentador Marcão do Povo e reforça que práticas racistas, em qualquer ambiente, atingem direitos fundamentais e comprometem a vida democrática do país.
Ludmilla conquista vitória histórica por injúria racial
O posicionamento, aliás, surge em meio a um debate mais amplo sobre a permanência de figuras públicas envolvidas em atos discriminatórios em espaços de grande alcance midiático. Para a pasta, não há margem para relativizações quando o tema envolve violência racial e ataques à dignidade humana.
Nota oficial e reforço institucional
No texto divulgado, o ministério ressaltou que liberdade de expressão não autoriza agressões nem legitima discursos de ódio. Além disso, a pasta reafirmou seu compromisso com políticas públicas voltadas ao enfrentamento do racismo estrutural e à promoção da igualdade racial no Brasil.
“Racismo é crime e não pode ser naturalizado”
“O racismo, independentemente do espaço em que é praticado, fere a dignidade, reforça desigualdades históricas e fragiliza a democracia”.
A nota ainda destaca que combater práticas discriminatórias exige posicionamento firme, sobretudo quando episódios desse tipo partem de pessoas com visibilidade nacional e influência direta sobre a opinião pública.
Caso Ludmilla e repercussão recente
O embate entre Ludmilla e Marcão do Povo teve início em 2017, durante uma transmissão ao vivo na televisão. Na ocasião, o apresentador chamou a cantora de “macaca”, episódio que provocou forte reação pública e levou a artista a acionar a Justiça. À época, a repercussão culminou na saída dele da emissora em que trabalhava.
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Nos últimos dias, o caso voltou ao centro das discussões após o apresentador afirmar ter sido absolvido. Ludmilla reagiu de forma imediata, ao contestar essa versão e apontar o uso de uma “manobra processual”, apesar do reconhecimento judicial do ato racista. O novo episódio reacendeu críticas à presença dele na programação do SBT, onde atualmente apresenta o programa Primeiro Impacto.
Diante desse contexto, a cantora recusou uma homenagem que receberia da emissora. Para ela, aceitar a honraria enquanto a empresa mantém espaço para alguém associado a atitudes racistas seria uma contradição. Na avaliação da artista, reconhecimento profissional não se separa do respeito à identidade, à história e à luta do povo negro.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino

























