O que se sabe sobre o caso Banco Master e influenciadores contratados
Por Esther Rocha - 09/01/2026 - 12:20

O Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) após uma investigação de irregularidades, está no centro de um novo desdobramento: a Polícia Federal (PF) apura denúncias de contratação de influenciadores digitais para publicar conteúdos que criticavam a atuação do BC em relação à instituição financeira.
A apuração da PF começou de forma preliminar e busca consolidar elementos que possam embasar a abertura de inquérito policial sobre a possível campanha digital. A investigação mira se cerca de 46 perfis digitais foram contatados para promover declarações contra o BC, questionando, sobretudo, a liquidação do banco.
Propostas milionárias e contratos de confidencialidade
Reportagens indicam que os influenciadores teriam sido sondados por empresas de marketing digital para produzir conteúdo nas redes sociais questionando a liquidação e defendendo a imagem do controlador do Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro.
Segundo apuração do jornal O Globo, os valores oferecidos chegavam a até R$ 2 milhões por contrato, dependendo do número de seguidores e do volume de publicações previstas. O modelo avaliava influenciadores para produção de conteúdos ao longo de três meses, com quantidades específicas de vídeos e posts.
Os contratos mencionados tinham cláusulas de confidencialidade e multas pesadas — citadas em cerca de R$ 800 mil para quem violasse o sigilo — e foram associados ao chamado “Projeto DV”, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro.
Alguns dos influenciadores que relataram ter sido procurados, como Rony Gabriel, vereador e criador de conteúdo, e a influenciadora Juliana Moreira Leite, afirmaram ter recusado as propostas depois de compreenderem que o objetivo era defender o banco e criticar a atuação do Banco Central.
Abordagens e reações nas redes sociais
De acordo com relatos, os contatos foram feitos no fim de 2025. Um representante de uma agência teria dito a um assessor de Rony Gabriel que a proposta visava “ajudar nessa disputa política em que estamos travando contra o sistema”, classificando o caso como de “repercussão nacional”. O contrato só começaria a ser detalhado após assinatura do acordo de confidencialidade.
Em resposta pública, tanto Rony Gabriel quanto Juliana Moreira Leite divulgaram em suas redes sociais que recusaram a proposta, e parte desse material foi encaminhada a veículos de imprensa que investigam o tema.
Informações de bastidores e ações digitais
Levantamentos de entidades como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também identificaram um pico atípico de postagens com temática semelhante entre o final de dezembro de 2025 e o início de janeiro de 2026, período em que o caso do Banco Master estava em evidência nas mídias; tais conteúdos criticavam a rapidez das decisões do Banco Central e questionavam a postura das autoridades regulatórias.
Contexto institucional: BC, TCU e repercussões legais
Todo esse episódio digital ocorre no contexto mais amplo da crise envolvendo o Banco Master. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição no fim de 2025 após investigações apontarem irregularidades, incluindo suposta fraude financeira estimada em bilhões de reais.
O Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a determinar uma inspeção no processo de liquidação, decisão que gerou debate e reações de diversas autoridades e especialistas sobre os limites de atuação desse tribunal em relação à autonomia do Banco Central.
Agência contratou os influenciadores
Em reportagens que levantaram detalhes sobre os contratos de influenciadores no chamado “Projeto DV”, houve menção a uma agência de marketing envolvida nas abordagens a perfis digitais que publicariam conteúdos contra o Banco Central e em defesa do Banco Master. Essa agência — chamada de Agência Mithi — foi conduzida por Thiago Miranda, que já foi sócio do Grupo Leo Dias, o portal de notícias de celebridades fundado pelo jornalista Leo Dias.
Os documentos e prints de transferências bancárias apresentados pela imprensa sugerem que pelo menos uma das quantias destinadas a influenciadores teria saído da conta da própria Miranda. O portal ligado ao jornalista negou qualquer relação com a Agência Mithi ou com os contratos e afirmou que Miranda havia saído do grupo meses antes.
Esse possível elo chamou a atenção porque envolve figuras de mídia que, segundo a apuração, teriam sido intermediárias na tentativa de mobilizar influenciadores para atuar de maneira coordenada em apoio à narrativa favorável ao Banco Master.
Avanços da investigação da Polícia Federal
Até o momento, a PF segue reunindo informações para determinar se há elementos suficientes para instaurar um inquérito formal. A fase inicial da apuração envolve coleta de materiais digitais, contratos e possíveis depoimentos de influenciadores que afirmaram ter sido procurados.
A investigação não se restringe apenas às postagens. As autoridades avaliam se houve uma estratégia organizada de pressão pública por meio de figuras públicas, e como esses contratos e conteúdos podem ter influenciado o debate sobre a liquidação do Banco Master.
Orientações das partes envolvidas
Até o momento, o Banco Central não comentou oficialmente sobre as supostas contratações e a investigação em curso, e também não houve posicionamento público de representantes do Banco Master ou das agências que teriam feito os contatos, em resposta às consultas feitas por veículos de imprensa.
Influenciadores que denunciaram ter recebido propostas
Rony Gabriel
Vereador pelo PL em Erechim (RS) e influenciador digital. Relatou ter sido abordado por uma agência no fim de dezembro de 2025 para publicar conteúdos criticando a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e “ajudar nessa disputa política”. Tem cerca de 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais.
Juliana Moreira Leite
Jornalista, comentarista política e influenciadora com cerca de 1,4 milhão de seguidores. Também afirmou que foi procurada para fazer publicações questionando a ação do Banco Central e defendendo narrativa favorável ao Banco Master, mas recusou a proposta.
Observações importantes
Eles relataram a abordagem em suas próprias redes sociais e em entrevistas à imprensa, e disseram que recusaram participar da campanha proposta.
Até o momento não há lista pública divulgada pela Polícia Federal nem por autoridades com nomes adicionais de influenciadores que supostamente aceitaram propostas.
A investigação da PF está em fase preliminar para verificar quem efetivamente recebeu pagamento, se houve coordenação ou contratos formais, e a origem dos recursos.
Idealizadora do site OFuxico, em 2000 segue como CEO e Diretora de Conteúdo do site. Formada em jornalismo pela Faculdade Casper Líbero, desde os anos 1980 trabalha na área do jornalismo de entretenimento. Apaixonada por novelas, séries, reality, cinema e estilo de vida dos famosos.

























