Rainha da bateria da Mangueira detona ‘invasão’ de famosas no samba
Por Flavia Cirino - 25/09/2025 - 08:37

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira, lançou uma reflexão poderosa sobre o verdadeiro significado de pertencer a uma escola de samba. Com a frase impactante “Coroa de ancestralidade não cabe no bolso”, a sambista atacou a ideia de que espaço dentro do carnaval pode ser comprado.
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Historiadora, diretora cultural da Liesa, além de filha de uma ex-passista e também rainha de bateria, Evelyn cresceu na comunidade e reafirmou sua ligação orgânica com a tradição. Para ela, o carnaval carrega acima de tudo marcas históricas que não se traduzem em cifras ou em visibilidade passageira.
“Fazer parte é muito mais do que vestir a roupa, dançar bonito ou ter seguidor. É sobre honrar o que veio antes… e entender que não é sobre protagonismo, é sobre pertencimento”, escreveu na legenda que acompanhou o vídeo.
Crítica à superficialidade
A fala da sambista surgiu em meio a debates intensos sobre o rumo que algumas escolas vêm tomando. Evelyn destacou que a cultura carnavalesca ficou “forjada com dor, tambor e chão batido”, construindo raízes inegociáveis.
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O recado logo soou como contraponto direto ao crescente movimento de celebridades que se aproximam do Carnaval apenas pelo prestígio e pela visibilidade.
O tom da mensagem repercutiu justamente quando a Grande Rio se viu no centro de críticas após confirmar Virginia como nova rainha de bateria. O anúncio reacendeu discussões sobre vínculos reais com o samba e a importância de preservar a essência da festa.
Debate em torno das musas
Paralelamente, o Salgueiro ganhou destaque ao divulgar nomes de famosas que vão ocupar espaço como musas em seu desfile. Entre as escolhidas, aparecem por exemplo Gkay, Cinthia Dicker e Bruna Griphao, todas sem histórico de ligação com o samba.
A decisão dividiu opiniões e principalmente levantou questionamentos sobre até que ponto o brilho da avenida corre o risco de acabar eclipsado pela fama momentânea.
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Nesse cenário, a voz de Evelyn Bastos – que é também presidente da escola de samba mirim “Mangueira do Amanhã” – surge como principalmente contraponto firme. Ao evocar pertencimento e ancestralidade, a rainha da Mangueira trouxe à tona uma defesa de identidade que muitos acreditam ser fundamental para manter viva a essência do carnaval.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino

























