Choque ou aliança? Saiba como foi o encontro entre Lula e Trump

Por - 26/10/2025 - 14:52

Encontro entre Trump e LulaEncontro entre Trump e Lula aconteceu na Malásia - Foto: Ricardo Stuckert

Neste domingo, 26 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump reuniram-se à margem da cúpula da ASEAN, em Kuala Lumpur. Dessa forma, os presidentes firmaram uma tentativa explícita de retomar as relações entre Brasil e Estados Unidos.

Conforme o líder brasileiro, o encontro foi “ótimo”, com negociação imediata anunciada para tarifas e sanções. Logo após a conversa, o americano afirmou que poderia “fazer ótimos acordos para os dois países”.

Relembre a reação de Lula à vitória de Trump nas eleições americanas

Entretanto, em meio a esse panorama, adversários de Lula reagiram com intensidade. O deputado Eduardo Bolsonaro, por exmeplo, publicou vídeo em que Trump faz elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro e chamou a atenção para eventuais tratativas “a portas fechadas”. “Imagine o que foi tratado …?”, deixou no ar.

Reações e tensão na política brasileira

Eduardo Bolsonaro enfatizou em seguida que o nome Bolsonaro “claramente incomoda” o presidente. Ele insinuou que nos bastidores o encontro não teria sido tão amistoso quanto o relato oficial. Em outra publicação, ironizou o tema da Venezuela, dizendo que “nos poucos minutos com o 01 da economia mundial trataram de… Venezuela”.

Relembre a pressão que Trump fez aos Brasil

Outros nomes da base de direita ampliaram as críticas. O deputado Coronel Chrisóstomo apontou o momento em que Trump, diante de Lula, elogia Bolsonaro: “Na cara do Lula, Trump rasga elogios a Bolsonaro e chama-o de ‘grande homem’. Parece que a reunião não saiu como o Barbudinho esperava.”

Atmosfera otimista

No outro espectro político, o clima foi de otimismo. O vice-presidente Geraldo Alckmin saudou o encontro como prova de “bons motivos para acreditar no diálogo” e afirmou que Brasil e EUA podem estreitar laços de amizade.

O ministro Alexandre Padilha compartilhou post de Lula com a chamada: “Presidente Lula, gigante pela própria natureza”. Já o ministro Alexandre Silveira falou em “retomar o diálogo com o mundo sob a liderança de um verdadeiro estadista.”

O presidente da Câmara, Hugo Motta, ressaltou que “quando líderes escolhem conversar, a História agradece.” E o senador Nelsinho Trad definiu o encontro como ponto de inflexão nas relações bilaterais: ele lidera comissão que busca interlocução econômica Brasil–EUA e afirmou que o entendimento entre os presidentes representa avanço estratégico.

Relação bilateral e negociações imediatas

O encontro durou cerca de 50 minutos — teve início às 15h30 (horário local), o que correspondeu a 4h30 de Brasília. Conforme relato oficial, as equipes dos dois países começarão as negociações “imediatamente”.

O foco principal está nas tarifas elevadas americanas sobre produtos brasileiros — nos Estados-Unidos, o percentual saltou de 10% para 50% em agosto.

Ainda, sanções foram impostas a autoridades brasileiras, mencionando o ministro do STF Alexandre de Moraes, que atuou no processo do ex-presidente Bolsonaro. Apesar de o governo brasileiro pedir a suspensão temporária das tarifas durante a negociação, não houve confirmação imediata de concordância americana.

Encontro entre Trump e Lula
Os presidentes fizeram acordos – Foto: Ricardo Stuckert

Mais detalhes sobre o encontro

Além do tema comercial, o encontro aconteceu no contexto mais amplo da 47ª cúpula da ASEAN, que reúne líderes do Sudeste Asiático com forças de comércio e poder internacional em jogo.

A movimentação pode impactar diversos setores da economia brasileira. O setor de carne bovina, por exemplo, sendo protagonista nas exportações, avaliou o encontro como um avanço que poderá preservar competitividade e previsibilidade para exportadores.

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O cenário político doméstico continua se dividindo sobre o significado — para alguns, a aproximação marca nova era de pragmatismo e cooperação; para outros, revela frágeis signos de entendimento que correm paralelos à tensão ideológica.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino