Erika Hilton enfrenta oposição em primeira Comissão da Mulher

Por - 19/03/2026 - 16:40

erika hiltonFoto: Reprodução/Instagram @hilton_erika

A primeira sessão da Comissão da Mulher da Câmara, sob comando da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), aconteceu nesta quarta-feira, 18, e terminou sem votação de propostas. Desde o início, o encontro enfrentou tensão, já que parlamentares da oposição criticaram a condução dos trabalhos e questionaram decisões da presidente.

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Além disso, o grupo oposicionista, formado em grande parte por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apresentou um recurso contra a eleição que colocou Hilton no cargo. Ao mesmo tempo, protocolou uma representação no Conselho de Ética contra a deputada. Enquanto o embate avançava, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), protocolou um projeto de resolução.

O texto propôs incluir no Regimento Interno uma regra que impeça mulheres trans de assumirem a Comissão da Mulher. Segundo integrantes desse grupo, Hilton atacou e perseguiu mulheres. Por outro lado, a deputada rebateu as acusações e afirmou que direcionou críticas a pessoas intolerantes.

Durante a reunião, deputados da oposição reclamaram porque seus requerimentos, apresentados poucas horas antes, não apareceram na pauta. Em resposta, Hilton afirmou que questões técnicas impediram a inclusão dos textos. Em seguida, os parlamentares tentaram construir um acordo para votar propostas consensuais.

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No entanto, a negociação não avançou e, depois de pouco mais de duas horas, a sessão terminou sem deliberações. Hilton afirmou que colocaria os requerimentos da oposição na pauta da próxima reunião, prevista para abril. Ainda assim, o calendário da Câmara deve sofrer impacto por causa das articulações da janela partidária aberta no início de março.

Debate sobre termo “imbeCIS” domina discussão

Ao longo da sessão, oposicionistas citaram postagens de Hilton nas redes sociais para reforçar críticas. Em uma delas, a deputada escreveu: “A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”. Diante da repercussão, Hilton adotou um tom defensivo.

Ela explicou: “Aquela postagem não se referia às mulheres, aquela postagem se referia ao esgoto da sociedade, à internet e às redes sociais”. Em seguida, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) questionou: “Então, Vossa Excelência reforça aquilo que Vossa Excelência disse?”. Hilton respondeu: “Claro”.

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O clima seguiu tenso, principalmente quando parlamentares discutiram o uso da palavra “imbeCIS”, com ênfase no termo “cis”. Hilton reiterou: “‘ImbeCIS’ faz referência aos transfóbicos e ao esgoto da sociedade. Essas pessoas rebaixam o debate público”.

Logo depois, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) questionou: “O Ratinho é esgoto da sociedade, presidente?”. Nesse momento, o microfone dela foi cortado para que Hilton continuasse a fala. A presidente da comissão também afirmou: “A deputada Gisela (Simona), a outras deputadas que eu não tenho trato, até as deputadas que eu acho intragáveis, eu jamais me referiria a elas dessa maneira”.

Briga entre Erika Hilton e Ratinho é citada

O nome do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, entrou no debate após declarações feitas por ele no SBT, no dia 11, logo depois da eleição de Hilton. Na ocasião, ele afirmou que era contra a escolha porque “ela não é mulher, ela é trans”. Diante disso, Hilton acionou o Ministério Público com pedido de investigação criminal e danos morais coletivos.

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Além disso, solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão do programa por 30 dias. Ratinho afirmou que não mudaria sua opinião. Em outro momento da sessão, o deputado Pastor Eurico (PL-PE) provocou reação ao questionar Hilton sobre seu corpo. Ele perguntou: “Se Vossa Excelência é mulher, qual o tamanho do seu útero?”.

Mais protestos

A fala gerou protestos imediatos. Em resposta, a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou: “Honestamente, enquanto tem gente que pergunta o tamanho do útero dos outros no Brasil, mulheres estão sendo assassinadas todos os dias pela violência machista”. O histórico entre Eurico e Hilton também veio à tona.

Em 2024, a Justiça condenou o deputado a pagar R$ 15 mil por danos morais após declarações semelhantes, quando ele a chamou de “ex-cidadão que agora é cidadã”. Apesar do clima de confronto, Sâmia Bomfim defendeu a continuidade dos trabalhos e cobrou a votação de propostas.

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Ela afirmou: “Acredito que as mulheres brasileiras têm pressa. Tem mulher sendo arrastada, tem criança sendo estuprada, 34 mil meninas estão casadas, sendo que a lei brasileira proíbe”. Mesmo com o apelo, a comissão encerrou a sessão sem avançar na análise de projetos.

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Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.