Flávio Bolsonaro supera Lula em pesquisa e acende alerta no Planalto

Por - 28/02/2026 - 09:08

Flavio Bolsonaro e LulaFlavio Bolsonaro e Lula devem disputar as próximas eleições presidenciais - Foto: Divulgação

As novas pesquisas eleitorais divulgadas nesta semana acirraram o debate sobre a corrida presidencial de 2026. Os levantamentos da Atlas/Bloomberg e da Paraná Pesquisas apontam avanço de Flávio Bolsonaro na disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, os números indicam empate técnico em simulações de segundo turno, o que reforça o cenário de polarização que marcou as últimas eleições.

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Especialistas associam esse movimento a fatores políticos e emocionais. Por um lado, cresce a rejeição ao atual presidente. Por outro, o senador consolida seu espaço como herdeiro político do campo bolsonarista. Ao mesmo tempo, episódios recentes ampliaram o embate nas redes sociais e impulsionaram o debate público.

Rejeição e polarização moldam cenário

Para analistas, a intenção de voto hoje reflete menos entusiasmo por candidaturas e mais rejeição ao adversário. O cientista político Hilton Cesario, professor da FESPSP, avalia que a lógica eleitoral gira em torno de sentimentos intensos.

“Se considerarmos as pesquisas divulgadas desde 2025, parece ser uma constante a imagem negativa de Lula”, diz Cesário. “A polarização não tem suas bases em questões ideológicas ou políticas, mas sim em emoções como o ódio ao grupo oposto ou reforço da identidade social. Quem quer que seja o candidato do campo bolsonarista contra Lula terá um bom desempenho nas pesquisas.”

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Nesse contexto, a força de Flávio cresce como reflexo direto da resistência ao governo. Além disso, o desgaste acumulado pelo Planalto cria terreno fértil para a oposição. “O governo Lula vem perdendo terreno e piora também contra outros candidatos”, afirma Leandro Consentino, professor de gestão pública do Insper. “Nesse contexto, Flávio se consolida como o nome de oposição ao atual governo.”

Assim, o embate ganha contornos cada vez mais definidos. Enquanto Lula tenta manter sua base histórica, Flávio amplia presença em segmentos estratégicos do eleitorado.

Empate técnico pressiona estratégias

Na sondagem da Atlas/Bloomberg, Flávio registra 46,3% das intenções de voto em eventual segundo turno, enquanto Lula aparece com 46,2%. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos. Portanto, o levantamento configura empate técnico.

Já na pesquisa da Paraná Pesquisas, o senador soma 44,4%, contra 43,8% do presidente. Nesse caso, a margem de erro chega a 2,2 pontos percentuais. Embora as metodologias sejam distintas e impeçam comparação direta, ambos os estudos indicam disputa apertada.

Além disso, a consolidação do nome de Flávio ganhou força após o anúncio de sua pré-candidatura, feito em dezembro de 2025. A decisão ocorreu após conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro, figura central no campo conservador.

Enquanto isso, o governador Tarcísio de Freitas ainda aparece competitivo em cenários nacionais. Contudo, ele sinalizou intenção de disputar a reeleição em São Paulo. Com isso, o espaço na direita tende a se concentrar no senador.

Na avaliação de Cesario, o levantamento da Paraná reforça essa consolidação, sobretudo porque Flávio atinge quase 15% na intenção espontânea de voto. “Os resultados dos cenários de segundo turno continuam indicando que a disputa está mediada pelo posicionamento dos eleitores em relação ao presidente Lula, em especial pelo antipetismo, uma vez que a troca do adversário praticamente não altera o desempenho de Lula”, diz o cientista político.

Avanço entre baixa renda e resistência regional

Outro dado chama atenção: o crescimento do senador entre eleitores de menor renda e escolaridade. Segundo a Atlas, a intenção de voto de Flávio saltou de 26,5% para 46,8% entre quem recebe até R$ 2.000 mensais. Esse avanço altera a dinâmica tradicional, já que esse segmento costuma favorecer o PT.

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Porém, desafios persistem. “A região Nordeste é o calcanhar de Aquiles. A rejeição entre as mulheres é outra herança pesada que Flávio recebe do pai”, diz Consentino.

Ainda assim, há sinais de reorganização interna no campo conservador. Para Luciana Santana, professora de ciência política da UFAL, o movimento favorece a unificação em torno do senador. “Há um processo de reorganização da direita. Está havendo um movimento dentro desse espectro ideológico de apoio à candidatura do Flávio e menos de outros nomes, como antes se aventava, como o de Tarcísio”, disse ao Uol.

Portanto, a tendência indica concentração de forças, o que reduz espaço para alternativas.

Sapucaí entra na disputa

Além dos fatores estruturais, um episódio recente influenciou o debate político. A repercussão do desfile em homenagem a Lula na Sapucaí ampliou discussões nas redes sociais. O tema mobilizou especialmente o público evangélico.

De acordo com dados da Atlas, a intenção de voto em Flávio entre evangélicos subiu de 43,3% para 61,2% entre janeiro e fevereiro. A professora avalia que há espaço para recuperação. “O estrago foi grande, mas é reversível. Tem muita margem para o Lula conseguir avançar. A pauta do fim da escala 6×1 é um caminho. Precisa ver se o governo vai conseguir frear essas tentativas de travar essa pauta.”

Hilton Cesario também pondera sobre o impacto do episódio. “O desfile isoladamente não teria tanto poder de impactar a pesquisa, mas o debate e as discussões sobre o tema, somados às ações nas redes sociais, criaram um clima desfavorável para o presidente, o que era totalmente previsível.”

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Enquanto isso, o ambiente eleitoral reforça a lógica de confronto direto. “A eleição caminha para uma polarização de novo. Quanto mais o Flávio e o governo Lula jogarem esse jogo, mais difícil fica para uma terceira via consolidar algum nome para chegar ao segundo turno”, afirma Consentino.

Dessa forma, os números atuais não apenas revelam empate técnico, mas também indicam rearranjo político consistente. À medida que a campanha se aproxima, cada movimento tende a ganhar peso estratégico, sobretudo em um cenário marcado por rejeição elevada, redes sociais ativas e eleitorado dividido.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino