Globo de Ouro: Wagner e Kleber detonam ditadura e Bolsonaro
Por Raphael Araujo - 12/01/2026 - 10:44

Wagner Moura viveu uma noite marcante no Globo de Ouro ao conquistar o prêmio de melhor ator em filme de drama por “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. Logo depois da cerimônia, o ator conversou com jornalistas e relacionou a conquista a um tema que, segundo ele, segue presente no cotidiano do País: a ditadura militar.
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Durante a entrevista à imprensa internacional, Wagner Moura defendeu a continuidade de produções que abordem o período autoritário no Brasil. “Precisamos continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura ainda é uma ferida aberta na vida brasileira. Ela aconteceu apenas 50 anos atrás”, afirmou o ator.
“Nós recentemente tivemos, de 2018 a 2022, um presidente de extrema-direita/fascista no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura. Então, a ditadura militar ainda é muito presente na vida diária dos brasileiros. Então, precisamos continuar fazendo filmes sobre ela”, afirmou o ator, enquanto “O Agente Secreto” também saiu premiado da cerimônia como melhor filme em língua não inglesa.
Filme aborda a Ditadura Miitar no Brasil
Na trama, Wagner Moura interpreta um professor perseguido durante a ditadura militar, papel que dialoga diretamente com as reflexões apresentadas pelo ator após a vitória. Além disso, Wagner Moura relacionou o cenário cultural atual ao ambiente político brasileiro: “Acho que a cultura e a democracia andam juntas”.
Wagner Moura faz história no Globo de Ouro com ‘O Agente Secreto’
“No Brasil temos, finalmente, depois de um periodo obscuro, uma democracia na qual podemos respirar, e nós temos um governo que entende que cultura é importante para o desenvolvimento do País. Então, eu acredito que seja mais ou menos isso que esteja acontecendo agora. É democracia, cultura, filmes, eles coexistem. Eles não vivem um sem o outro”, declarou, com o troféu de melhor ator em mãos.
Kleber Mendonça Filho vai na mesma linha de Wagner
Tambémm coletiva de imprensa após a premiação, Kleber Mendonça Filho comentou o cenário político recente e fez críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Há cerca de dez anos, o Brasil sofreu uma guinada bem drástica à direita e esses tempos agora se foram, com o ex-presidente [Jair Bolsonaro] agora preso”, afirmou o cineasta.
“Ele foi epicamente irresponsável em não liderar o país e realmente acho que o cinema pode ser uma forma de expressar algumas insatisfações que temos em termos de sociedade”, completou, em síntese. Antes disso, ao subir ao palco para receber o prêmio, Kleber Mendonça Filho iniciou o discurso com uma saudação ao País.
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“Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”, disse. Em seguida, o diretor agradeceu à distribuidora Vitrine Filmes, à produtora Emilie, à equipe e ao elenco do longa.Além disso, Kleber destacou a parceria com Wagner Moura, protagonista da produção: “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um grande momento”.
Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.






















