Lima Duarte faz discurso polêmico em premiação e gera revolta
Por Flavia Cirino - 05/05/2026 - 09:36 - Última Atualização: 6 maio 2026
Lima Duarte recebe prêmio APCA - Foto Edu Araújo/ AgNews A homenagem a Lima Duarte na cerimônia da APCA, realizada na noite de 4 de maio, acabou tomando um rumo inesperado. Aos 96 anos, o ator subiu ao palco para agradecer o reconhecimento, mas, ao compartilhar uma memória da juventude, gerou forte repercussão nas redes sociais — e também entre artistas presentes.
Durante o discurso, ele relembrou um episódio da adolescência, quando chegou a São Paulo vindo do interior de Minas Gerais e enfrentava condições precárias enquanto trabalhava no Mercado Municipal. Na tentativa de ilustrar como sua visão de mundo mudou ao longo dos anos, contou uma situação envolvendo um convite para visitar uma zona de prostituição na região do Bom Retiro.
Lima Duarte faz reflexão sobre a vida
Ao narrar o episódio, Lima Duarte mencionou que recusou ir a um local por conta das mulheres que estavam ali, o que provocou desconforto. Em seguida, ele citou outro momento da mesma época, ao falar sobre o contato com uma mulher judia que teria o acolhido.
Embora o ator tenha buscado contextualizar a história como parte de um passado marcado por dificuldades e falta de formação, a fala repercutiu negativamente. Logo após o discurso, três artistas também homenageadas subiram ao palco e responderam diretamente.
Atrizes repudiam o discurso de Lima Duarte
Carmen Luz fez um pronunciamento contundente: “As mulheres pretas não estão no mundo para serem recusadas. Levantai-vos”. O posicionamento recebeu aplausos. Na sequência, Shirley Cruz e Grace Passô reforçaram a importância de reconhecer e valorizar mulheres negras na cultura brasileira.
Diante da repercussão, Lima Duarte se manifestou no dia seguinte. Em nota, explicou que o relato tinha como objetivo retratar um período difícil da própria vida.
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“Eu contei uma memória da minha infância, de um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua. Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos”, afirmou.
Ainda assim, o episódio ampliou o debate sobre responsabilidade ao relembrar experiências do passado em espaços públicos. Enquanto parte do público defendeu o contexto da fala, outra destacou a necessidade de cuidado ao abordar temas sensíveis.
Assim, o momento que celebraria a trajetória de um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira acabou marcado por reflexão — e por um diálogo necessário sobre representatividade e respeito.

É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino























