Ana Paula Renault chora, fala de dor e redenção no ‘Saia Justa’

Por - 30/04/2026 - 11:27

Ana Paula Renault chorando no "Saia Justa"Ana Paula Renault chorou no "Saia Justa" - Foto Reprodução/ GNT

Ana Paula Renault revisitou a própria história no Big Brother Brasil com franqueza e emoção ao participar do Saia Justa, exibido na quarta-feira, 29 de abril. Campeã da edição de 2026, a jornalista comparou sua estreia no reality, há uma década, com o retorno que a levou ao topo. Embora reconheça semelhanças no comportamento, ela acredita que, no passado, não encontrou espaço para ser compreendida.

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Logo de início, a mineira revelou que ainda tenta organizar tudo o que viveu recentemente. “É um misto de sentimentos, porque aconteceram várias coisas. Eu ainda não consegui entender nada de forma plena: não consegui ficar feliz de forma plena ou ficar triste de forma plena”, afirmou. A fala resume o turbilhão que acompanha o pós-reality, especialmente após uma trajetória intensa e vitoriosa.

Maturidade como ponto de virada

Ao analisar sua evolução, Ana Paula logo destacou que voltou ao programa com foco definido. “Em 2026, eu entrei para viver, sim, porém eu tinha um objetivo, que era ganhar, que era o prêmio e que era ser escutada”, admitiu. Dessa forma, a maturidade apareceu como fator decisivo. Além disso, ela reconhece que ajustou a forma de se posicionar, o que facilitou a conexão com o público.

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Ainda assim, a jornalista não ignorou episódios do passado. Ao revisitar a expulsão em 2016, ela assumiu responsabilidade. “Eu errei. Errei, sim! Foi uma expulsão justíssima, eram as regras, eu invadi o espaço do coleguinha”, declarou. Por outro lado, reforçou que muitas das ideias defendidas naquela época só foram assimiladas anos depois.

“Eu falei muitas dessas coisas que demonstrei agora em 2026 lá em 2016 também e fui invalidada. Só que agora, graças a Deus, as pessoas entenderam, porque eu acho que o mundo mudou, eu também consegui mudar a forma de me posicionar para me fazer ser ouvida”, avaliou. Nesse sentido, ela aponta uma transformação coletiva, não apenas individual.

Mudanças pessoais e sociais

Para Ana Paula, o tempo trouxe ajustes importantes em diferentes frentes. “Eu acho que as pessoas resolveram me dar um crédito, porque graças a Deus o mundo evoluiu. Eu sou aquela de 2016, um pouco mais cansada, claro, com um pouco mais de inteligência emocional”, ponderou. Assim, ela sugere que o reconhecimento atual resulta de uma combinação entre crescimento pessoal e mudanças sociais.

Além da realização simbólica, a participação no BBB 26 teve impacto prático. “Foi um dos meus compromissos ir lá buscar minha aposentadoria, o que deu certo. E minha outra missão era resgatar, de certa forma, minha realização profissional”, contou. Portanto, a vitória representou mais do que um título: trouxe estabilidade e reposicionamento na carreira.

Luto, perda e resistência emocional

Durante a conversa, o tom ficou mais sensível ao abordar a morte do pai, Gerardo Henrique Machado Renault, ocorrida na reta final do programa. A jornalista expôs o quanto a experiência no reality influenciou sua forma de lidar com a dor. “O roteirista é maluco, mas eu acho que tem alguns fundamentos aí. Gente, eu não conseguiria. Se fosse em outras circunstâncias, todo mundo que é próximo de mim sabe que eu não conseguiria”, desabafou.

A relação intensa com o pai ampliou o impacto da perda. Ainda assim, ela acredita que o contexto do programa teve papel decisivo para manter sua estrutura emocional. “É muito clichê falar que Deus escreve certo por linhas tortas –tortíssimas e doloridíssimas–, mas me salvou de algo que talvez eu não conseguiria me tirar depois. Só eu sei do quão forte é minha relação com meu pai”, afirmou.

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Mesmo diante desse cenário, Ana Paula demonstra confiança na própria capacidade de seguir. “Por isso que eu estou aqui hoje sobrevivendo, vivendo, e eu tenho certeza absoluta que eu vou conseguir superar tudo”, declarou. Ao mesmo tempo, criticou o julgamento externo em momentos delicados. “Ainda existem os fiscais de luto”, apontou.

Por fim, ela recorreu a uma metáfora para traduzir o sentimento da perda. “Eu li esses dias que o luto parece quando estamos sujos de glitter. No primeiro momento, tudo é muito brilhante, tudo muito sujo e tal, a gente consegue dar uma limpada ali. Mas vira e mexe você abre uma gaveta, vê uma blusa e está lá aquele brilhinho para não te fazer esquecer”, concluiu.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino